Coração embala Laver Cup
Por José Nilton Dalcim
24 de setembro de 2017 às 19:54

A Laver Cup está aprovada como exibição de gala. Não bastassem a presença de Roger Federer e Rafael Nadal, o que por si só já seria suficiente para lotar qualquer ginásio, a seleção de estrelas foi bem feita, o sistema inovador mais ajudou do que confundiu e ficou bem claro o empenho de todos os envolvidos em jogar o melhor que pudessem nos três dias de competição.

Duas cenas resumem muito bem o que foi o evento organizado pela empresa do suíço: a cara de choro de Nick Kyrgios ao perder de Federer em partida muito equilibrada e a comemoração empolgada de Rafa ao final desse jogo decisivo, saltando ao encontro de Roger. O clima foi incrivelmente alegre, cheio de brincadeiras fora da quadra, sem perder jamais o caráter competitivo.

A sacada de colocar Federer e Nadal para disputarem juntos a dupla de sábado se provou brilhante. Ainda que não tenham jogado seu melhor – aliás, nenhum deles chegou perto disso em todo fim de semana -, foi um momento histórico para o tênis. Não eram apenas os líderes do ranking lado a lado, mas dois dos mais ferrenhos adversários da história do esporte, estilos antagônicos em todos os sentidos. Era fácil perceber a diferença na intensidade do espanhol perante a descontração maior do suíço. Ainda assim, foi muito legal ver o sorriso largo de Rafa em meio ao jogo, coisa extremamente rara de se ver no circuito tradicional.

GS

A presença de Bjorn Borg e John McEnroe como capitães dos times selou uma homenagem justíssima a verdadeiros ícones do tênis, e curiosamente também dois rivais do circuito de jogo tão diferente, porém grandes amigos. Juntar Laver com Federer, Nadal, Borg e McEnroe é quase como mixar capítulos espetaculares do tênis em todos os tempos.

A competição se provou muito mais interessante que a IPTL, a Liga Asiática. Não inventou moda, manteve os padrões básicos do calendário e talvez por isso tenha tido bons jogos todos os dias. Está garantida para 2018, mas é difícil se apostar na sua perpetuação, porque sabemos que a presença de Kyrgios, Alexander Zverev, Dominic Thiem e Marin Cilic se deveu muito ao empenho pessoal de Federer e ao compromisso assumido desde logo por Nadal. Sem os dois, talvez o futuro não seja tão promissor.

Bia, vice com louvor
Em sua primeira decisão de nível WTA, Bia Haddad Maia perdeu mas nem de longe decepcionou. Saiu atrás do primeiro set e continuou insistindo no plano tático, até começar a capitalizar os erros do jogo forçado da campeã de Roland Garros e, depois de desperdiçar dois set-points, ainda ganhou o tiebreak, um momento sempre muito emocional no tênis, diante de Jelena Ostapenko. E olha que a top 10 liderou até 4-3.

Aí naturalmente perdeu um pouco da intensidade e isso é geralmente fatal diante desse nível tão alto de adversária. Ostapenko pegou a oportunidade e disparou no placar, não fazendo a menor cerimônia para pedir apoio do público que lotava o estádio. O terceiro set foi uma gangorra incrível, com as duas tendo dificuldade com o saque e jogando bem melhor como devolvedora. Foram sete quebras em dez games, num misto de erros não forçados, ousadia e nervosismo.

Muito animador ver Bia jogando sempre perto da linha de base, tentando não abrir ângulos, e encarando pancadaria. Claro que a força dos golpes de Ostapenko é extraordinário, com difícil defesa quando ela pega em cheio. Falta à brasileira certamente um segundo saque mais intimidador, mas a semana em Seul foi outro grande passo no necessário e paulatino acúmulo de experiências.

O (primeiro) grande momento de Bia
Por José Nilton Dalcim
23 de setembro de 2017 às 11:03

Numa demonstração clara de que adaptou mesmo seu tênis ao piso sintético – o que é uma excelente perspectiva -, Bia Haddad jogará neste domingo sua primeira final de nível WTA lá do outro lado do mundo, em Seul. Para ser sincero, não chega a ser um resultado surpreendente, porque a canhota de 21 anos tem evoluído a olhos vistos ao longo de sua primeira temporada realmente competitiva.

Desde janeiro, Bia enfrentou nove adversárias que estavam entre as 50 do ranking e ganhou quatro vezes: Samantha Stosur (19), Lauren Davis (34), Lesia Tsurenko (41) e Christina McHale (45). Sua experiência diante de top 20 foram seis. Além da vitória sobre Stosur, perdeu para Simona Halep (2), Gabriela Muguruza (6), Venus Williams (12), Elena Vesnina (15) e Sara Errani (16).

Sua adversária deste domingo será a grande sensação da temporada, a letã de 20 anos Jelena Ostapenko, inesperada campeã de Roland Garros e hoje 10ª colocada. Tenista que joga na base do risco o tempo inteiro, não tem a mesma segurança quando está sobre a quadra dura, já que o piso ‘rouba’ seu tempo de bola. Nesta temporada, sofreu derrotas para gente como Madison Brengle, Aleksandra Krunic e Qiang Wang, ou seja, jogadoras de nível médio e inferior à própria brasileira.

Até hoje, Bia teve como maior campanha o título de US$ 100 mil no saibro de Cagnes Sur Mer, tendo ainda faturado dois US$ 50 mil no piso duro norte-americano no ano passado e um de US$ 25 mil na Austrália. Desde a gaúcha Niege Dias, em Barcelona de 1988, apenas Teliana Pereira fez duas finais e ganhou esses WTA para o Brasil. Bia já garantiu o 58º posto no próximo ranking e poderá ser 54º em caso de título. O destino de atingir o top 50 parece traçado.

Quem quiser acompanhar, terá de ficar acordado até tarde: horário previsto é 2h de Brasília.

A Batalha, 25 anos atrás
O Facebook de TenisBrasil publicou o vídeo (que reproduzo acima) para marcar os 25 anos da segunda Batalha dos Sexos, um duelo bem curioso entre Jimmy Connors e Martina Navratilova, disputado em Las Vegas em 22 de setembro de 1992, quando ambos ainda estavam consideravelmente em atividade.

Ponto curioso, estavam em quadra os dois tenistas com maior quantidade de título da Era Profissional (109 contra 167), recordes que dificilmente irão cair. Os dois canhotos adeptos de estilo agressivo receberam cada um cachê de US$ 500 mil e ainda disputaram o prêmio de outros US$ 500 mil.

Mesmo tendo direito a apenas um saque e tendo de cobrir uma quadra 1 metro e meio maior, Connors venceu por 7/5 e 6/2, diante de quase 14 mil espectadores. Os lances acima mostram a grande qualidade técnica de cada um e deixam bem claro a diferença básica entre homens e mulheres: a velocidade das pernas e portanto a capacidade de cobrir os espaços.

Os livros que nunca deveriam ser escritos
Por José Nilton Dalcim
20 de setembro de 2017 às 23:10

Revendo meu longo arquivo de textos publicados aqui no Blog – estão perto de 2.000 -, achei algumas coisas muito divertidas. Algumas valem relembrar e, quem sabe, atualizar. Uma das mais comentadas foi a ‘Worst-sellers: os livros que nunca deveriam ser escritos no tênis’. Vocês se lembram?

Bom, o autor foi um internauta que se denominava “Action Jackson” no Forum MensTennis. Ele sugeriu livros que, se escritos, jamais seriam bem vendidos, verdadeiros ‘worst-sellers’. Uma brincadeira, é claro, que animou os participantes e rendeu centenas de sugestões hilárias.

Separei na época algumas, que considerei espirituosas e divertidas, mantive o texto em inglês para não roubar a força do original, com uma ligeira tradução para quem eventualmente não domina o idioma.

Fica a sugestão para vocês também ampliarem a lista e dar novas ideias de tema e autor. Já inclui certos personagens do tênis atual para ilustrar…

“You can’t read my mind! – The Art of hiding emotions on the tennis court”, por Marat Safin (A arte de esconder emoções). Hoje, quem sabe, poderíamos incluir Fabio Fognini e Nick Kyrgios.

“The Art of Serve and Volley”, por Andre Agassi (A arte do saque-voleio). A Jelena Ostapenko pode escrever o prefácio.

“How to Effectively Return Serve”, por Ivo Karlovic (Como devolver bem). Imbatível.

“Mental Toughness”, por Gaston Gaudio (Força mental). Richard Gasquet assinaria.

“Why I Love Tennis Journalists”, por Marcelo Rios (Por que amo os jornalistas). Quem mais?

“Predictable Tennis”, por Fabrice Santoro (Jogo previsível)

“Claycourt Tennis Made Easy”, por Pete Sampras (Como jogar fácil no saibro)

“How to comb your hair”, por Gustavo Kuerten (Como arrumar os cabelos)

“My Life as a Champion”, por Anna Kournikova (Minha vida de campeã)

“Winning Ugly”, por Roger Federer (Vencendo feio)

“Getting Lucky”, por Monica Seles (Tendo sorte)

“How to Get Him to Marry You”, por Miroslava Vavrinec (Como fazê-lo se casar com você)

“Public Relations Made Easy”, por Lleyton Hewitt (Relações públicas tornam mais fácil)

“Tactical Nous”, por Andy Roddick (Noções táticas)

“Percentage Tennis”, por Fernando Gonzalez (Tênis percentual)