Os livros que nunca deveriam ser escritos
Por José Nilton Dalcim
20 de setembro de 2017 às 23:10

Revendo meu longo arquivo de textos publicados aqui no Blog – estão perto de 2.000 -, achei algumas coisas muito divertidas. Algumas valem relembrar e, quem sabe, atualizar. Uma das mais comentadas foi a ‘Worst-sellers: os livros que nunca deveriam ser escritos no tênis’. Vocês se lembram?

Bom, o autor foi um internauta que se denominava “Action Jackson” no Forum MensTennis. Ele sugeriu livros que, se escritos, jamais seriam bem vendidos, verdadeiros ‘worst-sellers’. Uma brincadeira, é claro, que animou os participantes e rendeu centenas de sugestões hilárias.

Separei na época algumas, que considerei espirituosas e divertidas, mantive o texto em inglês para não roubar a força do original, com uma ligeira tradução para quem eventualmente não domina o idioma.

Fica a sugestão para vocês também ampliarem a lista e dar novas ideias de tema e autor. Já inclui certos personagens do tênis atual para ilustrar…

“You can’t read my mind! – The Art of hiding emotions on the tennis court”, por Marat Safin (A arte de esconder emoções). Hoje, quem sabe, poderíamos incluir Fabio Fognini e Nick Kyrgios.

“The Art of Serve and Volley”, por Andre Agassi (A arte do saque-voleio). A Jelena Ostapenko pode escrever o prefácio.

“How to Effectively Return Serve”, por Ivo Karlovic (Como devolver bem). Imbatível.

“Mental Toughness”, por Gaston Gaudio (Força mental). Richard Gasquet assinaria.

“Why I Love Tennis Journalists”, por Marcelo Rios (Por que amo os jornalistas). Quem mais?

“Predictable Tennis”, por Fabrice Santoro (Jogo previsível)

“Claycourt Tennis Made Easy”, por Pete Sampras (Como jogar fácil no saibro)

“How to comb your hair”, por Gustavo Kuerten (Como arrumar os cabelos)

“My Life as a Champion”, por Anna Kournikova (Minha vida de campeã)

“Winning Ugly”, por Roger Federer (Vencendo feio)

“Getting Lucky”, por Monica Seles (Tendo sorte)

“How to Get Him to Marry You”, por Miroslava Vavrinec (Como fazê-lo se casar com você)

“Public Relations Made Easy”, por Lleyton Hewitt (Relações públicas tornam mais fácil)

“Tactical Nous”, por Andy Roddick (Noções táticas)

“Percentage Tennis”, por Fernando Gonzalez (Tênis percentual)

Tragédia anunciada
Por José Nilton Dalcim
18 de setembro de 2017 às 11:10

Desde a convocação do time, a impressão era de que a coisa não iria correr bem na repescagem da Copa Davis em Osaka. De forma um tanto incompreensível, Rogério Silva ficou de fora, mesmo sendo de longe o brasileiro de maior consistência e sucesso na temporada. Não se discute que Thomaz Bellucci jogue mais que ele, mas não se pode ignorar o momento de um atleta em um esporte individual e o de Bellucci é muito ruim, fisica e tecnicamente.

O clima só piorou depois que Bellucci pediu dispensa por motivos médicos. O capitão João Zwetsch tentou chamar Rogerinho e ele obviamente não atendeu. Primeiro porque alegou não ter sido sequer comunicado de que não iria ao Japão, algo inadmissível. Depois, porque havia feito um calendário para disputar ATPs na Rússia e Ásia. Restou convocar Guilherme Clezar, que disputava challengers no saibro, sem falar que entre abril e junho chegou a entrar até em futures. Acabou ainda dando vexame com um gesto totalmente inapropriado. Por que não se optou por João ‘Feijão’ Souza, bem mais experiente?

Ou seja, de um time coeso e com três bons jogadores para um piso sintético muito lento – alguma dúvida de que Rogerinho se daria muito bem nele? – e diante de um adversário totalmente desfigurado, sobraram cacos. Ainda assim, dava para ganhar. O número 42 Yuichi Sogita, que não era titular desde 2013, se mostrou nervoso e defensivo até mesmo contra Clezar. Monteiro desperdiçou boas oportunidades para derrotar o veterano Go Soeda e nem mesmo um quinto set adiantou. Para variar, só os duplistas mineiros justificaram. A atuação do canhoto cearense no quarto jogo foi estranha, cheia de erros, apressado, saque instável. Ainda assim teve 3/1 no primeiro e terceiro sets. Doeu.

Nem vou falar agora em Zonal Americano para 2018, porque enfrentar Chile, Equador e Venezuela é um tira-gosto sem graça. E já dá para ficar apreensivo se tivermos de sair contra Colômbia e República Dominicana. Talvez seja hora de trocarmos as peças do xadrez. Há muita gente falando nos bastidores que a troca de treinador é iminente. A eterna dúvida é saber quem ocuparia um cargo que exige experiência na quadra e um essencial bom relacionamento com tenistas e dirigentes. André Sá, que agora tenta ajudar Bellucci, surge como candidato natural. Talvez seja mesmo o momento.

Lá entre os realmente grandes, França e Bélgica confirmaram o fator casa e a escolha esperta do piso de saibro para atingir a final de novembro. Sem qualquer jogador em boa fase, os franceses preocupavam. A sorte foi pegar uma Sérvia desfalcada, apesar da boa atuação de Dusan Lajovic nas simples. Jo-Wilfried Tsonga virou herói e quem sabe as duas vitórias no fim de semana coloquem de novo sua carreira nos trilhos. Note-se que Lille usou o estádio de futebol da cidade improvisado e recebeu 18 mil espectadores.

A Bélgica também usou o saibro e 15 mil torcedores barulhentos para conter a Austrália. O quarto jogo foi um espetáculo. David Goffin fez talvez sua melhor partida do ano e segurou Nick Kyrgios, que usou os mais diversos recursos táticos para desestabilizar o adversário. Salvaram o fim de semana. Esta será a segunda vez em três anos que os belgas tentarão o título da Davis mesmo tendo Steve Darcis e Ruben Bemelmans como número 2. Vai ser difícil porque a França deve escolher um piso sintético mais veloz e coberto para o duelo de novembro.

A repescagem viu a queda da Argentina fora de casa para o Cazaquistão, mostra que Juan Martin del Potro faz toda a diferença do mundo. Mas a pequena zebra do fim de semana foi a derrota da nova geração russa diante da Hungria, ainda que no saibro. A Suíça e a Holanda conseguiram sobreviver com duas vitórias no domingo, Alemanha e Croácia tiraram o sonho de Portugal e Colômbia chegarem pela primeira vez no Grupo Mundial.

Brasil Open voltará ao Ibirapuera
Por José Nilton Dalcim
15 de setembro de 2017 às 20:05

Depois de dois anos de clube Pinheiros, o Brasil Open voltará a ser disputado no Ibirapuera em 2018, o que o tornará novamente o único torneio de nível ATP disputado sobre saibro coberto de todo o calendário internacional.

Há dois fortes motivos para o retorno ao local onde o ATP paulistano se mudou em 2012, vindo da Costa do Sauípe. Embora a promotora Koch Tavares não confirme, o governo estadual será um parceiro na empreitada e isso garante uma enorme redução de custos. Também houve desgaste grande junto ao Pinheiros, diante de suas exigências e taxas.

Mesmo tendo de construir um pequeno estádio com ar condicionado para a quadra 2 externa no Ibirapuera, a economia é muito grande frente ao aluguel cobrado pelo Pinheiros, que de R$ 400 mil chegou a dobrar em 2017. Se por um lado o torneio terá teto para fugir do período chuvoso, de outro o ginásio do Ibirapuera traz dores de cabeça em termos de logística e conforto.

Enquanto isso, o Rio Open aguarda com ansiedade a reunião de novembro da ATP, que acontecerá durante o Finals de Londres e determinará as alterações no calendário para 2019, que prometem ser grandes. É a chance de o ATP 500 carioca mudar de piso, de local e talvez até de data. O diretor do torneio Luiz Procópio Carvalho esteve no US Open para tentar fechar contratos e trazer nomes fortes para o próximo ano.

Bellucci troca tudo
Contrariado com seu ano de resultados apenas medianos, Thomaz Bellucci se inspirou em Novak Djokovic e radicalizou, desligando-se de toda sua antiga equipe e colaboradores. Além de acertar com André Sá, ele deixou a IMM, dispensou o preparador físico e até sua assessoria de imprensa, que o acompanhava há 10 anos.

Bellucci deverá ser agora representado e divulgado pela mesma empresa que cuida de Bruno Soares. Seu novo preparador físico será Cassiano Costa, que tem feito trabalho reconhecido no tênis internacional. Tomara que dê certo. Ele está inscrito para o ATP 250 de Shenzen, na China, e tentará o quali para o ATP 500 de Pequim.