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No topo do mundo outra vez
Por José Nilton Dalcim
14 de agosto de 2017 às 23:23

Não foi certamente da forma que ele gostaria, mas Rafael Nadal concretizou o retorno à liderança do ranking nesta segunda-feira ao ver Roger Federer confirmar a já esperada desistência de Cincinnati. Pena não haver a luta direta pela posição mais nobre do tênis, ainda mais entre dois ícones do esporte.

De qualquer forma, a quarta ascensão de Nadal ao número 1, três anos depois de passar o bastão, é uma resposta gigante àqueles que não acreditavam mais na sua capacidade de recuperação na carreira. Foi assim também em 2010 e 2013, mas desta vez parecia ainda mais difícil reagir depois de decepcionantes atuações, crueis abandonos, palavras duras consigo mesmo.

Muitos irão dizer que a volta à ponta é circunstancial. Não deixa de ser. Realmente, 4.680 de seus 7.555 foram obtidos no saibro, o que são quase 62%. Houve também a queda vertiginosa de Andy Murray, a longa fase instável de Novak Djokovic e o abandono de Federer ao saibro. No entanto, quase sempre foi assim. Murray foi muito beneficiado por algo semelhante no ano passado, Djoko só teve um real adversário entre 2015 e 2016, Federer contou com a baixa de Nadal e Nole em 2012 para ficarmos em alguns exemplos recentes.

Numa chave esvaziada, onde sete dos top 10 estão fora, Cincinnati pode ser ótima chance para Nadal ganhar terreno. A distância para Murray e Federer está apertada, com pouco mais de 300 pontos, nada difícil de se recuperar no US Open.

De maior candidato ao número 1, Federer se transforma em grande incógnita. Mesmo sem se conhecer a real gravidade da contusão nas costas, todos sabemos que o tratamento não é rápido e que o suíço depende demais do saque afiado para um bom desempenho. Para complicar, um Grand Slam exige no mínimo três sets toda rodada, um desgaste que só aumenta conforme se avança na chave. Sem falar que, caso Murray volte, ele será cabeça 3 no US Open, o que pode antecipar o duelo com Nadal para a semi.

O quadro todo portanto se mostra favorável ao canhoto espanhol, que agora poderá jogar com peso muito menor nos ombros. Nem tio Toni poderia imaginar algo tão bom assim ao se chegar a Cincinnati.

Rafa tem curiosa escalada ao número 1
Por José Nilton Dalcim
4 de agosto de 2017 às 23:35

Ainda bem que Montréal assistirá à chance de mudança na liderança do ranking e do reencontro entre os dois grandes nomes da temporada. Caso contrário, as ausências de Andy Murray, Novak Djokovic e Stan Wawrinka causariam um desastre, ainda mais quando vimos as surpresas e sofrimentos dos cabeças em Washington nesta semana.

A caminhada de Nadal rumo à retomada do número 1 é curiosa. Pode enfrentar Borna Coric na estreia, um tenista que hoje oferece pouco perigo mas tem histórico de duas vitórias em três jogos, e segue contra quem passar de John Isner e Juan Martin del Potro. Com o piso teoricamente lento, o canhoto espanhol tem favoritismo nos dois casos, embora Isner venha em bom momento.

Por fim, viria seu jogo mais importante da semana, já que Rafa precisa atingir a semifinal de Montréal para superar Andy Murray. E o principal candidato é o dono da casa, Milos Raonic. O canadense fez um bom Wimbledon, mas sequer passou por Jack Sock nesta quinta-feira em Washington.

A outra vaga na semifinal parece estar entre Alexander Zverev e Jo-Wilfried Tsonga, e ouso dizer que o alemão tem as melhores condições. De novo, espera-se um reencontro com Nick Kyrgios, porém o australiano teve um desempenho pífio em Washington e optou por abandonar depois de lances de dolorosa mediocridade. Tsonga tem uma estreia delicada contra Gilles Muller ou Sam Querrey e ainda pode cruzar com Kevin Anderson, que dia a dia recupera seu tênis de top 20.

No papel, Roger Federer se deu melhor no sorteio. Aguarda Vasek Pospisil ou Peter Polansky, deve encarar Jack Sock e depois possivelmente Kei Nishikori. A semi pode ter de tudo, de Grigor Dimitrov a Misha Zverev, de Tomas Berdych a Dominic Thiem. Em condições normais, ninguém com condições de ameaçar seriamente o número 3 do ranking qualquer que seja a velocidade do piso.

A última vez que Montréal não viu um Big 4 como campeão foi em 2003, com Andy Roddick. Mesmo desfalcado, tudo indica que a soberania vai continuar.

Outra baixa
Aquele incômodo no joelho que perseguiu Stan Wawrinka nos últimos torneios se transformou numa cirurgia e obrigatório afastamento para o restante da temporada, seguindo os passos de Djokovic. Ao menos, a previsão é que sua queda no ranking seja menor e ele tem até chance de terminar o ano entre os top 10 graças aos 3.150 pontos que acumulou desde janeiro.

No entanto, a longa parada de Stan preocupa mais. Em primeiro lugar, seu retorno se daria no piso sintético da Oceania e todo mundo sabe o quanto a quadra dura não é ideal para quem tem problema no joelho. Em 2013, Nadal adiou a volta estrategicamente para o saibro sul-americano para sofrer impacto menor. Além disso, Wawrinka sempre teve dificuldade para se manter no peso – o que aliás também força as articulações – e portanto terá de ser muito disciplinado nos próximos seis meses. Quem o conhece, considera isso uma tarefa bem difícil.

Federer esquenta briga pelo número 1
Por José Nilton Dalcim
2 de agosto de 2017 às 10:27

A liderança do ranking masculino está aberta. O primeiro duelo pelo número 1 se dará em Montréal entre Andy Murray e Rafael Nadal. Mesmo que o escocês não entre em quadra – ainda não anunciou sua retirada, mas é o que todo o circuito aguarda -, o canhoto espanhol ainda terá de atingir a semifinal e somar 360 pontos para ultrapassar o escocês e voltar ao posto que ocupou pela última vez em 6 de julho de 2014.

Ainda que Nadal sofra uma derrota precoce no Canadá ou que Murray vá para o sacrifício e some pontos suficientes para se manter no posto, a semana seguinte em Cincinnati amplia a chance de o espanhol retomar o posto, já que somará qualquer resultado enquanto o britânico defende 600 pontos.

A confirmação de Federer em Montréal nesta terça-feira o coloca diretamente na briga, porém apenas em Cincinnati. Nem mesmo um eventual título e 1.000 pontos no Canadá conseguiriam colocar o suíço à frente de Murray, já que a distância atual é de 1.205 pontos. Federer poderá, no máximo, superar Nadal e chegar ao segundo posto, mas não é tarefa simples: precisa ganhar o torneio para ir a 7.545 e esperar que Nadal sequer vença seu primeiro jogo e fique portanto com os 7.465.

Mas somar no Canadá se mostra importante para o suíço nesta briga e não permitiria que Nadal abrisse vantagem difícil de alcançar, além de o colocar com chance real de atingir o posto já em Cincinnati ou principalmente no US Open. Vale lembrar que Nadal defende pontos nos dois torneios, ainda que pouco: 90 em Cincinnati e 180 em Nova York.

Quem corria por fora era Stan Wawrinka. Com 5.780 pontos, ele poderia ganhar 1.910 nos dois Masters, mas anunciou nesta quarta-feira que não irá jogar. Assim, como tem de repetir o título no US Open, corre risco de perder até seu lugar no top 4.

Murray, é claro, tem uma chance mínima. Com 7.750, marcou 600 em Cincinnati e 360 no US Open. Assim, apenas grandes campanhas conseguiriam mantê-lo no posto ou ao menos na luta. Isso passa necessariamente pela recuperação completa de seu problema no quadril e a restauração da confiança, dois elementos que parecem distantes no momento.

Montréal, que não terá Novak Djokovic, ganha assim o apelo que estava faltando. Seria extremamente penoso que o Masters canadense sofresse pelo segundo ano seguido uma retirada das estrelas, já que ficou esvaziado em 2016 em função da proximidade das Olimpíadas. Seu piso não é dos mais velozes, como mostram as conquistas de Murray (2009 e 2015), o de Nadal (2013) e de Djokovic (2011). Federer jamais ganhou lá, tendo seus dois títulos em Toronto.

O sorteio da chave principal está marcado para o final da tarde de sexta-feira.