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Sede por recordes continua para Federer
Por José Nilton Dalcim
17 de julho de 2017 às 17:49

Perto dos 36 anos e de volta ao top 3 do ranking, Roger Federer já se habituou à chance de quebrar alguma marca ou estabelecer façanhas praticamente toda vez que entra em quadra. Novamente em excepcional forma, começa a tornar algumas de suas grandes marcas cada vez mais difíceis de ser batidas.

Nos Slam, além de ter agora quatro troféus acima de Rafael Nadal, soma sete finais a mais que o espanhol, 11 semis e 11 quartas sobre Novak Djokovic. A quantidade de vitórias também é muito superior, com 84 acima do sérvio. Suas séries consecutivas de finais, semis e quartas não sofrem qualquer ameaça.

E Federer pode fazer ainda mais no US Open. Será o tenista com mais Slam na carreira, deve superar Andre Agassi no número de vitórias no torneio e luta para se tornar o maior campeão da Era Aberta em Nova York caso consiga o hexa. De quebra, ainda poderá lutar pela liderança do ranking e também ampliar seus números excepcionais.

Veja a lista dos atuais principais recordes e façanhas do suíço por categoria e perceba que há muita coisa plausível de ser alcançada:

Grand Slam
– Recordes de títulos (19), finais (29), semis (42) e quartas (50).
– Maior número de vitórias (321) e de participações (70, com Santoro).
– Entre os tenistas com mais de 200 jogos, só fica atrás de Nadal em percentual de aproveitamento de vitórias (86,3% contra 86,9%).
– É lider absoluto em finais seguidas (10), semis consecutivas (23) e quartas seguidas (36).
– Ganhou sete finais seguidas (superado por 8 de Sampras), tem duas séries de 27 vitórias consecutivas (Djokovic chegou a 30).
– Lidera com 36 sets vencidos seguidos e 65 Slam disputados em sequência (Feli López está com 62).
– É o maior campeão de Wimbledon (8) e do US Open (5, com Connors e Sampras) e segundo na Austrália (5, atrás dos 6 de Djokovic).
– Ganhou cinco troféus seguidos em Wimbledon, igualado a Borg, e no US Open.
– Recordista em finais na Austrália (6, com Djoko) e Wimbledon (11). Está em segundo no US Open (7 contra 8 de Lendl e Sampras).
– É quem mais ganhou na Austrália (87) e Wimbledon (91), segundo em Paris (65) e terceiro no US Open (78, a um de Agassi).
– Tem recorde de vitórias seguidas no US Open (40) e segundo em Wimbledon (40) e de sets seguidos na Austrália (30) e em Wimbledon (34).
– Segundo mais jovem a completar o Carrer Grand Slam, aos 27 anos.
– Dois Slam diferentes vencidos sem perder sets (Australian-2007 e Wimbledon-2017). Borg e Nadal somam três.
– Único da Era Aberta a disputar todas as finais de Slam de um mesmo ano por três temporadas (2006-07, 2009) e todas as semis por cinco temporadas.

Carreira
– Chega a 93 títulos, um a menos que Lendl e a 16 de Connors.
– Fez 141 finais, 5 atrás de Lendl e 23 distante de Connors.
– Está em segundo em partidas partidas (1.358) e vitóris obtidas (1.111).
– Tenista que mais derrotou adversários top 10 (207).
– Líder em títulos na quadra sintética (63) e na grama (17). Empata com Nadal em quadras abertas (71).
– Maior vencedor sobre quadras sintéticas (687 jogos) e segundo em grama (164, a seis de Connors).
– Detém recorde de invencibilidade no sintético (56) e na grama (65).
– Maior invencibilidade contra top 10 (26 jogos)
– Maior número de finais disputadas e vencidas em sequência (24)
– Recorde de títulos (6), vitórias (52) e participações (14) no ATP Finals
– Lidera vitórias em torneios Masters 1000 (341) e é terceiro em títulos (26).
– Chega a US$ 104 milhões de premiação oficial e está US$ 2,5 mi atrás de Djokovic.
– Terceiro tenista a superar a marca de 10 mil aces desde que ATP iniciou contagem em 1991.

Ranking
– 302 semanas como número 1, sendo 237 consecutivas, marcas absolutas
– É quem mais figurou no top 2 (471 semanas) e top 3 (inicia a 628ª). Faltam oito para assumir a ponta também do top 4 e nove para o top 5. Está 48 semanas atrás de Connors como top 10.
– Terminou cinco temporadas como líder, um a menos que Sampras. Lidera com 10 no top 2 e 12 no top 3.

Desafio Wimbledon
O internauta Wendell Assis, que votou através do Facebook, foi incrivelmente preciso e cravou o exato placar da vitória de Federer sobre Cilic: 6/3 6/1 6/4. Em segundo lugar, ficaram outros dois únicos que palpitaram apenas oito games para Cilic: Victor Rolemberg França e Eric Magalhães. Os três devem enviar endereço completo para envio do tubo de bolas Spin. Parabéns!

Nadal, cada vez mais perigoso
Por José Nilton Dalcim
24 de abril de 2016 às 20:22

Dois títulos seguidos, atuações convincentes diante de adversários de gabarito. A pergunta que todos fazem é óbvia: Rafael Nadal recuperou o favoritismo para Roland Garros? Voltou a ser a grande barreira de Novak Djokovic para o título tão sonhado?

Acho que ainda é prematuro apostar em Rafa. Não resta dúvida de que ele mostrou em Monte Carlo e Barcelona seu melhor tênis dos últimos dois anos. Está de novo confiante no seu estilo tão único sobre o saibro, em que pulveriza a defesa do oponente com seus golpes cheios de spin até que consiga o momento certo para atacar ou definir o ponto. Está veloz, fisicamente no ápice, escolhendo o golpe certo na hora precisa.

Mas ainda há muito chão pela frente. Madri, dentro de oito dias, é o próximo desafio. Porém acho que o saibro mais alto e veloz desta vez será muito mais importante para Nole do que para Nadal. O sérvio precisa evitar outra derrota precoce, que poderia abalar sua estrutura.

A menos que haja um duelo direto entre eles na Caja Magica, ainda imagino que as melhores respostas virão em Roma, onde as condições são mais semelhantes a Paris e o tempo de recuperação psicológica será bem menor. A chance de os dois se cruzarem pelo título no Fóro Itálico aliás é grande.

De qualquer forma, a reação do canhoto espanhol vem em ótima hora e apimenta Roland Garros. Sempre disse que Nadal confiante é um tremendo pesadelo para qualquer um.

Vamos atualizar os feitos principais de Rafa com o novo troféu:

– Com seus dois troféus consecutivos no saibro, Nadal chega ao 69º da carreira e enfim volta a se distanciar de Novak Djokovic, que tem 63. O espanhol tem a quinta maior coleção da Era Profissional e está oito atrás de John McEnroe.
– Nadal disputou a 101ª final da carreira e é um dos seis únicos profissionais a ter três dígitos nesse quesito. Está perto das 104 de Vilas e das 109 de McEnroe.
– Faltam 45 partidas para Nadal chegar à casa de 1.000. Só nove profissionais fizeram isso até hoje. O espanhol tem 789 vitórias em oitavo lugar, apenas duas a menos que Edberg.
– Décimos separam Nadal, Djokovic e Borg na estatística de percentual de vitórias na carreira. Novak tem 82,83%, Borg parou com 82,74% e Rafa sobe agora para 82,62%.
– Além de liderar agora nos títulos sobre o saibro, com 49, ao lado de Vilas, Nadal se torna o maior campeão em quadras abertas, com 67, um a mais que Federer.
– Com 358 vitórias em 390 possíveis sobre o saibro na carreira, Nadal recupera o aproveitamento incrível de 91,8%. É um domínio superior ao de Djokovic no sintético (84,3%) ou de Federer na grama (87,7%).
– Nadal tem agora nove títulos em três diferentes torneios: Roland Garros, Monte Carlo e Barcelona. Tem ainda sete em Roma.

O fundo do poço
Por José Nilton Dalcim
7 de dezembro de 2015 às 20:34

O jornal espanhol Marca revelou nesta segunda-feira passagens da biografia da cantora italiana Loredana Berté, a terceira das companheiras permanentes, que coloca em palavras o que o circuito sempre soube: o supercampeão Bjorn Borg não conseguiu superar o vício, especialmente com a cocaína, e foi isso o que acabou com sua espetacular e curta carreira profissional.

No começo, era difícil para o mundo do tênis entender como um jogador de tanto talento e sucesso, ainda aos 26 anos, decidisse repentinamente se aposentar. Entre 1976 e 1981, o sueco era o mais amado do público e o mais temido de qualquer adversário e sobre todos os pisos. No seu último ano regular, ganhou Roland Garros pela sexta vez, fez a sexta final consecutiva em Wimbledon e deixou escapar o US Open pela quarta tentativa. Uma tremenda campanha.

Aí entrou em litígio com a ATP. Achou-se por direito de não cumprir o regulamento e participar de todos os torneios obrigatórios, desejando selecionar mais seu calendário. A entidade não concordou e o obrigou a disputar qualificatórios. O sueco fez isso em Monte Carlo e chegou nas quartas de final, mas foi seu único torneio da temporada. Em janeiro de 1983, avisava ao mundo a retirada. Houve inúmeras espetaculações, desde contusão misteriosa até a mais famosa, de que temia a concorrência da nova geração, especialmente John McEnroe.

Mas o fato é que a vida pessoal de Bjorn estava desabando. Seu casamento com Mariana Simionescu acabou no ano seguinte, ele fez investimentos financeiros arriscados, teve problemas com o fisco. Perdeu quase todo seu dinheiro, incluindo uma ilha na Suécia e uma mansão nos EUA. No meio de tudo, a dependência severa de cocaína. Tentou então o suicídio, que se tentou acobertar à época. Em 2006, colocou em leilão seus troféus de Wimbledon e raquetes históricas, mas foi persuadido por Jimmy Connors e John McEnroe a comprá-los de volta.

Quem ler a biografia de Connors, terá um panorama bem realista de como drogas e bebidas faziam parte umbilical do tênis da década de 1970, e ele próprio admite que teve dificuldade em evitar as drogas, ainda que acabasse bebendo muito. Entre os amigos comuns, Vitas Gerulaitis foi outro que acabou com a carreira e quase com a vida devido à cocaína. Não por acaso, era o maior amigo e parceiro de treinos de Borg. Ironia do destino, Vitas morreu não de overdose mas de intoxicação acidental por gás.

A biografia de Loredana pode revelar sua amargura por ter perdido boa parte da fortuna nos quatro anos em que esteve casada com Bjorn, mas antes de tudo serve perfeitamente para mostrar o quão fundo pode ser o poço quando se cai no mundo das drogas.

P.S.: TenisBrasil soltou hoje a tradicional votação dos Melhores do Ano. Votem lá, está bem interessante. No próximo post, vou dar meus palpites na pesquisa.