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Zverev vira ameaça
Por José Nilton Dalcim
13 de agosto de 2017 às 22:57

Roger Federer não ajudou, e a final de Montréal acabou sendo um tanto frustrante quanto à competitividade que se esperava. Alexander Zverev jogou sério, entrou em quadra decidido a tomar conta dos pontos, usar muito ângulo e forçar o saque. Fez tudo direitinho, não se assustou com as bolas baixas e fechou uma semana que começou com um tremendo susto e três match points evitados lá na sua primeira partida.

O alemão amadurece com rapidez. Está com um jogo de base muito sólido, o saque ajuda demais, não se apavora diante da pressão e consegue produzir tanto num piso lento como numa quadra mais veloz. Ganhar dois Masters não é apenas notável em si, mas também por ter acontecido no espaço de três meses, em dois pisos distintos e em cima de Federer e Novak Djokovic. Isso diz muita coisa.

Zverev é agora o terceiro a somar mais na temporada, com 4.175 pontos, e isso o deixa a 3 mil de Rafael Nadal e Federer. É muito? Sim. Mas, com sua ótima adaptação ao piso duro e as incógnitas em cima dos dois concorrentes, não parece tão impossível entrar na briga pela ponta ainda em 2017.

Federer jogou mal, isso ficou evidente. Sacou 48% no primeiro set e empurrou até segundo serviço no outro set. Costas, provavelmente. Ele falou em dores e isso talvez explique suas atuações inconstantes da semana e meros oito winners nesta final. Colocou em dúvida a ida a Cincinnati, poupando-se para o US Open. Talvez seja o mais sensato.

Expectativa
O circuito muda imediatamente para o piso bem mais rápido de Cincinnati e obviamente que a expectativa é saber se será Federer ou Rafael Nadal quem assumirá a liderança do ranking. O jejum do suíço vem desde novembro de 2012, o do espanhol desde julho de 2014. Como Federer nem sabe se irá jogar, parece outra vez nas mãos de Rafa.

O sorteio indicou dois adversários de respeito para Nadal logo nos primeiros jogos: Richard Gasquet e Gilles Muller. A terceira rodada pode ter também um oponente agressivo, desde Jo-Wilfried Tsonga até Kevin Anderson ou Nick Kyrgios. Quem sobreviver, deverá fazer semi contra Kei Nishikori, que parece o mais gabaritado num quadrante que tem Dominic Thiem e Sam Querrey.

Federer depende unicamente de si para recuperar o número 1 e não parece ter caminho duro diante de Diego Schwartzman ou Karen Khachanov na estreia, nem depois com Jack Sock, Grigor Dimitrov e Tomas Berdych (ou Juan Martin del Potro, primeiro adversário do tcheco). Mas como estarão suas costas? A semi complica mais, principalmente porque ali poderá estar novamente Zverev. O alemão é o nome mais forte do setor, ainda que seja preciso cuidado com John Isner e Milos Raonic em pisos mais velozes e já tenha se declarado bem cansado após Washington e Montréal.

Federer ganhou Cincy sete vezes, entre 2005 e 2015, e Nadal venceu no seu mágico ano de 2013, superando o suíço de virada nas quartas. O atual campeão Marin Cilic desistiu e deve ser superado por Zverev e Thiem no ranking. O vice Andy Murray dará adeus à liderança e deve cair direto para o terceiro lugar, a menos que Federer desista.

Brasil em Cincy
Bia Haddad Maia garantiu o tênis brasileiro nas chaves de simples de Cincinnati. Depois de adiar duas vezes sua volta às competições devido a um desconforto no ombro esquerdo, a canhota paulista foi muito bem nos dois jogos do qualificatório, não perdeu sets e terá direito a disputar mais um grande torneio na temporada.

A adversária é dura: a ‘baixinha’ Lauren Davis, quase 30 centímetros menor que a brasileira, mas que ocupa o 34º lugar do ranking e ganhou um WTA sobre quadra dura em janeiro. Caso consiga a vitória – e um bom saque ajuda muito no piso mais veloz de Cincy -, Bia terá um desafio muito especial e enfrentará a campeã de Wimbledon Garbiñe Muguruza.

Svitolina mira o 1
O domingo viu a vitória da ucraniana Elina Svitolina em Toronto, seu segundo grande troféu do ano, em cima de Carol Wozniacki. Agora líder do ranking da temporada, Svitolina ganhou nada menos do que todas as cinco finais que disputou em 2017. Ao menos tempo, Wozniacki perdeu as seis decisões que participou. Que coisa.

O jogo foi um tanto curioso. As duas tenistas trocaram quatro quebras ao longo do primeiro set e tudo parecia indefinido até o 4/4. Svitolina então se favoreceu do serviço sempre frágil da adversária e daí em diante foi um passeio.

Ao atingir um inédito quarto lugar do ranking, Svitolina passar a ter chance real de brigar pela liderança. Aparecerá nesta segunda-feira apenas 80 pontos atrás de Angelique Kerber, atual vice de Cincy e campeã de US Open; menos de 500 de Simona Halep e a 1.290 de Karolina Pliskova, que defende agora o título de Cincy e a final do US Open. Vai ter briga, e das boas.

A estrela sobe
Por José Nilton Dalcim
13 de agosto de 2017 às 00:15

Ainda falta uma grande campanha em Grand Slam para Alexander Zverev mas, mesmo sem sequer ter chegado às quartas da Austrália, Paris ou Wimbledon neste ano, o garoto de 20 anos já é o terceiro tenista que mais somou em 2017 e dificilmente sairá do US Open fora do top 5 do ranking.

Mais ainda, com os 3.775 pontos que acumulou até agora, já tem vaga garantida no Finals de Londres, já que historicamente nenhum tenista com pelo menos 3.500 deixou de participar da nobre competição que encerra cada temporada.

Zverev só perde mesmo para Roger Federer e Rafael Nadal, justamente porque os dois dominaram todos os Slam e ganharam pelo menos dois Masters cada um. O suíço particularmente faz uma temporada cada vez mais assombrosa, está muito perto de assumir a liderança do ranking desde janeiro e se coloca em condições de lutar pelo número 1 já na próxima semana.

Neste sábado, o suíço concretizou o notável feito de atingir todas as finais dos grandes torneios que disputou e pode vencer seu terceiro Masters num mesmo ano pela primeira vez desde 2012. Na verdade, se ganhar Montréal pela primeira vez, reunirá sua melhor coleção de troféus desde 2007, quando venceu três Slam e dois Masters, além do Finals.

Fato também relevante é que Zverev, se conquistar seu segundo Masters, terá número de títulos desse quilate superior a Wawrinka, Ferrer e Berdych ou nomes do passado como Haas, Soderling e Ljubicic. E terá Masters em dois pisos diferentes, algo que gente como Hewitt, Tsonga, Nalbandian, Coria, Bruguera e Rafter não conseguiram.

Claro que Federer, mesmo sem estar jogando seu melhor nesta semana, tem de ser considerado o favorito. A situação lembra um pouco o que aconteceu em Halle, poucos meses atrás, quando também não vinha fazendo jogos brilhantes mas de repente encaixou todas suas armas e atropelou Zverev na final da grama.

O alemão precisa estar preparado para bolas baixas e correr para a frente atrás de deixadinhas ou voleios curtos, detalhes que ainda lhe trazem dores de cabeça. Sem falar de um natural cansaço, já que vem do título em Washington. Não pode ter um início vacilante porque aí Federer cresce demais.

Já a final de Toronto deste domingo reúne duas jogadoras que fazem uma temporada muito consistente: Carol Wozniacki e Elina Svitolina. A dinamarquesa sobreviveu a uma chave onde estavam Karolina Pliskova, Angelique Kerber e Petra Kvitova, todas com competência na quadra dura e um tanto mais rápida. Wozniacki fez valer seu forte jogo de base e grande trabalho de pernas, contando com a importante ajuda de Sloane Stephens, que se encarregou de surpreender Kvitova e Kerber.

Svitolina foi muito bem até Roland Garros, somando quatro de seus oito títulos na carreira neste 2017, com destaque para o saibro de Roma. Ainda aos 22 anos, a número 5 do ranking está numa semana inspirada, com vitória esmagadora sobre Venus Williams, virada em cima de Garbiñe Muguruza e um incrível duplo 6/1 sobre Simona Halep. Aliás, venceu quatro sets neste sábado.

Quem ganhar neste domingo subirá ao quarto lugar do ranking e ficará a menos de 100 pontos de Kerber. A ucraniana ganhou os dois duelos já feitos, ambos no piso sintético.

Federer tem jogo decisivo para o nº 1
Por José Nilton Dalcim
12 de agosto de 2017 às 00:36

Ganhar de Robin Haase não vale apenas mais uma importante final nesta incrível temporada para Roger Federer. A vitória às 16 horas deste sábado lhe dará condições matemáticas de depender unicamente de si mesmo para recuperar a liderança do ranking já em Cincinnati, na próxima semana.

O suíço chegará a 7.145 pontos se for à final de Montréal e assim o título e os 1.000 pontos no piso rápido de Cincinnati, um lugar onde já ganhou sete vezes, serão o bastante para superar Rafael Nadal qualquer que seja a campanha do espanhol. Como está com 7.555 pontos e defende 90, o máximo que o espanhol poderá atingir com um vice são 8.065.

Ao mesmo tempo, Federer continua a perseguir os números de Ivan Lendl. A primeira façanha a se comemorar nesta semana é a semifinal de número 189 na carreira, que iguala o tcheco e fica apenas atrás das inacreditáveis 240 de Jimmy Connors. Em caso de título, chegará aos mesmos 94 de Lendl, ainda que distante dos 109 de Connors.

Curioso o fato de que Federer e Haase, já um ‘trintão’, se enfrentaram uma única vez até hoje, cinco anos atrás no playoff da Copa Davis e o suíço atropelou no saibro. Tenista de 1,90m que já foi 33º do ranking, Haase é um adversário respeitável em quadras mais velozes, embora seus dois ATPs tenham vindo no saibro rápido de Kitzbuhel.

Não há muito segredo: saca bem, prefere ficar na base a disparar golpes da base, com pouca variedade. Ainda assim, suas cinco vitórias sobre top 10 são expressivas: Murray, Wawrinka, Tsonga, Berdych e recentemente Thiem.

Enquanto Federer fez um jogo burocrático, mas bem superior ao da véspera, diante de Roberto Bautista, o holandês virou em cima de Diego Schwartzman mesmo perdendo quatro serviços na partida. O suíço adotou a tática de pressionar o espanhol desde o início e começou a obter dividendos quando o saque de Bautista caiu de rendimento. Haase saca melhor, mas não duvido que Federer adote o mesmo modelo tático e use anda mais as bolas baixas.

O sonho continua
Denis Shapovalov está iluminado. Marcou sua terceira virada diante de uma torcida empolgadíssima e a vitória desta noite sobre Adrian Mannarino teve um componente a mais para mostrar o potencial do canhoto canadense: administrou emocionalmente com grande competência a façanha da noite anterior, quando eliminou Rafael Nadal.

Sem deslumbre, sua postura foi digna. Entrou focado, ainda que tenha demorado a pegar o melhor ritmo, correu atrás do prejuízo e achou o caminho tático para driblar um adversário que se postou de forma bem diferente da véspera. Apesar de não ter golpes matadores, o canhoto francês joga muito perto da linha, o que tira os ângulos, e saber mexer a bola para todos os cantos, apostando na regularidade. Shapovalov precisou de maior cautela, mas ainda disparou 34 winners e fez 49 erros, ou seja, tomou a iniciativa o tempo todo. Destaque para uma cinematográfica passada cruzada de backhand.

Mais jovem semifinalista na história dos Masters e já garantido no top 70, Shapovalov faz agora um duelo dos mais interessantes diante de outro prodígio, o alemão Alexander Zverev, que é exatamente dois anos mais velho e já está num estágio de alto nível na carreira e numa temporada magnífica. Ele repetiu nesta noite a vitória sobre Kevin Anderson da final de Washington de cinco dias atrás e será um teste magnífico para Shapovalov, já que tem saque poderoso, grande jogo de base dos dois lados, procura sempre entrar na quadra, pega na subida e faz devolução agressiva.

O sonho também continua para Sloane Stephens. Ela foi muito corajosa, bateu firme para escapar de três match points contra Lucie Safarova num jogo batido o tempo inteiro. A norte-americana faz semifinal contra Carol Wozniacki, que conseguiu reagir duas vezes: de 1/5 para 7/5 no primeiro set e de 2/4 para 6/4 no terceiro diante da número 1 Karolina Pliskova. Por incrível que pareça, Carol, que nunca havia vencido uma líder do ranking, marcou mais aces que a tcheca: 8 a 5.

A segunda semifinal só será conhecida neste sábado, já que o mau tempo interrompeu a vitória parcial de Garbine Muguruza e adiou a partida entre Simona Halep e Carolina Garcia. As vencedoras terão rodada dupla.