Arquivo da tag: Gael Monfils

Vacilos que valeram deliciosa emoção
Por José Nilton Dalcim
9 de agosto de 2017 às 23:51

Apesar da falta de quatro top 10, ou quem sabe exatamente por causa disso, Montréal viu jogos emocionantes desde o primeiro dia e já virou lugar comum match points evitados e perdidos. Se algumas vezes o nível técnico nem foi tão espetacular, sobra emoção. E isso é tudo o que o público gosta de ver.

Quatro jogos foram particularmente interessantes nestes três dias, a começar pela derrota de Rogerinho Silva para Denis Shapovalov da terça-feira. No final da noite, vimos a incrível vacilada de Dominic Thiem e o espetacular espírito guerreiro do baixinho Diego Schwartzman.

Gael Monfils repetiu a façanha contra Kei Nishikori nesta quarta-feira. O japonês tinha o jogo na mão, deixou para depois e aí Monfils imitou Shapovalov e salvou match points com jogadas arrojadas e sensacionais. Deixou o estádio inteirinho de pé num lance de incrível qualidade. Por fim, Alexander Zverev e Richard Gasquet fizeram todo mundo perder o fôlego com sua entrega. O francês conseguiu reagir com o alemão no saque e 40-0. Depois Zverev encarou seus três match points e foi notavelmente frio, inclusive num ponto tão longo e cansativo que Gasquet se pôs a dar slice de forehand, já sem pernas.

Ampliando as surpresas, Adrian Mannarino fez mais aces do que Milos Raonic, num resultado tão inesperado quanto o placar, ao passo que Heyong Chung aproveitou um David Goffin ainda sem ritmo. E Shapovalov, bem menos afoito, pareceu um veterano diante de Juan Martin del Potro, este sim apressado e irregular.

Enquanto isso, Rafael Nadal e Roger Federer ratificaram por que são os grandes nomes da temporada. Claro, os adversários mostraram fragilidade, mas é preciso enxergar como os dois não tomaram conhecimento do tal piso lento de Montréal e bateram com vontade na bola. Nadal deu winners dos dois lados, sufocando Borna Coric, e Federer abusou dos voleios precisos e do ritmo frenético em cima de Peter Polansky.

As oitavas de final têm um pouco de tudo, com atenção maior para o reencontro entre Zverev e Nick Kyrgios e o curioso duelo de canhotos entre Nadal e Shapovalov. É bom lembrar que Zverev e Kyrgios são os grandes candidatos a cruzar com Rafa nas semifinais.

Mas há espaço para grandes novidades, o que tem sido raro nos Masters: Schwartzman ou Donaldson, Chung ou Mannarino estarão nas quartas. E para uma das maiores freguesias das quadras, os 16 a 0 de Federer sobre um reanimado David Ferrer. Divirtam-se.

E se…
Por José Nilton Dalcim
30 de julho de 2017 às 13:28

Vários internautas me questionaram nesta semana sobre a entrevista dada por Roger Federer logo após Wimbledon, em que o suíço não se mostrava muito satisfeito com o atual sistema de ranking. Então me perguntaram qual seria o critério mais correto e resolvi calcular como estaria a classificação desta semana caso vigorasse a forma matemática básica, ou seja, a média de pontos somados por torneios disputados, algo que vigorou na ATP de 1973 até 1989.

Algumas mudanças seriam bem claras e importantes. Rafael Nadal, por exemplo, já seria o líder do ranking, e com boa vantagem sobre Federer. Bem atrás, viria Andy Murray. Dois tenistas teriam ascensão significativa: Gael Monfils estariam em 13º, três acima, e Jack Sock aparecia em 15º, quatro à frente. Ao mesmo tempo, a maior queda aconteceria com David Goffin, que cairia três postos e iria parar no 16º. Apenas cinco dos atuais top 20 não teriam seu posicionamento alterado.

Vale lembrar que o atual sistema de ranking, adotado pela ATP desde 1990, determina que cada jogador some os pontos dos 18 torneios de melhor desempenho nos últimos 12 meses (na verdade, começou com 14 torneios e na reforma do ano 2000 subiu para 18). O objetivo essencial dessa nova fórmula é fazer com que os principais nomes disputem mais campeonatos, podendo descartar eventuais resultados fracos. Dominic Thiem, por exemplo, jogou 27 e é o recordista entre os top 20. Porém, com bom desempenho na temporada, sua média seria apenas dois postos abaixo do ranking real (está em 7º e cairia para 9º).

Veja nesta tabela como ficaria o ranking por média:

1. Rafael Nadal, 497,66 pontos (7.465 em 15 torneios)
2. Roger Federer, 467,50 (6.545 em 14)
3. Andy Murray, 430,55 (7.750 em 18)
4. Novak Djokovic, 372,05 (6.325 em 17)
5. Stan Wawrinka, 307,00 (6.140 em 20)
6. Marin Cilic, 228,46 (5.255 em 23)
7. Kei Nishikori, 187,00 (3.740 em 20)
8. Milos Raonic, 157,61 (3.310 em 21)
9. Dominic Thiem, 157,59 (4.255 em 27)
10. Jo-Wilfried Tsonga, 148,15 (2.815 em 19)
11. Alexander Zverev, 143,26 (3.295 em 23)
12. Grigor Dimitrov, 141,73 (3.260 em 23)
13. Gael Monfils, 126,38 (2.275 em 18)
14. Tomas Berdych, 119,56 (2.750 em 23)
15. Jack Sock, 118,15 (2.245 em 19)
16. David Goffin, 112,20 (2.805 em 25)
17. Pablo Carreño, 107,00 (2.675 em 25)
18. Lucas Pouille, 102,82 (2.365 em 23)
19. Roberto Bautista, 101,04 (2.425 em 19)
20. Nick Kyrgios, 97,00 (1.940 em 20)

Este ranking não leva em consideração outro critério que existia no sistema por média, que era a bonificação sobre vitória de um adversário classificado entre os top 150, algo aliás que Federer também se referiu na entrevista e dizia ter saudades. Esse adendo funcionava assim: vitória sobre adversário de 1 a 5 valia 30 pontos; de 6 a 10, 24; de 11 a 15, 20; de 16 a 20, 16; de 21 a 30, 12; de 31 a 50, 6; de 51 a 75, 3; de 76 a 100, 2; e de 101 a 150, 1. Os bônus permaneceram no ranking até 1999, até serem excluídos na fórmula adotada em 2000.

Curioso, não? Eu gostava disso. Parece que Federer, também.

Mais história
Achei uma lista curiosa de tenistas que foram número 2 do ranking sem atingir a liderança ao longo da carreira. Vejam só:
Manuel Orantes, em 1973
Ken Rosewall e Guillermo Vilas, em 1975
Arthur Ashe, em 1976
Michael Stich, em 1993
Goran Ivanisevic, em 1994
Michael Chang, em 1996
Petr Korda, em 1998
Alex Corretja, em 1999
Magnus Norman, em 2000
Tommy Haas, em 2002

E os que chegaram ao terceiro lugar como ápice da carreira: Stan Smith, Tom Okker, Rod Laver, Brian Gottfried, Vitas Gerulaitis, Yannick Noah, Sergi Bruguera, Guillermo Coria, David Nalbandian, Ivan Ljubicic, Nikolay Davidenko, David Ferrer, Stan Wawrinka e Milos Raonic.

Correndo por fora
Por José Nilton Dalcim
5 de junho de 2017 às 17:44

Andy Murray e Stan Wawrinka têm sido coadjuvantes de Roland Garros até agora. Apesar da experiência, ranking e gabarito, chegaram a Paris com campanhas apagadas no saibro. Agora, se aproximam de um duelo direto na semifinal de sexta-feira com considerável favoritismo sobre seus próximos adversários. É difícil, mas por que não sonhar com o título?

O escocês esteve até agora num plano totalmente secundário, ainda mais por ter começado de forma irregular o torneio. Mas jogou muito bem contra Juan Martin del Potro e hoje contra Karen Khachanov deu mais um salto de qualidade. Entrou ligado na partida, usou muito bem o saque, variou ataques e defesas. E antes que alguém fale do pequeno currículo do russo, frise-se que ele se mostrou um tenista de grande potencial.

Embora tenha 8 a 2 de vantagem, o histórico recente mostra partidas muito duras e equilibradas frente a Kei Nishikori. O número 1 no entanto chegará na quarta-feira muito mais descansado e confiante. O japonês, que tem se queixado do quadril, ganhou aos trancos e barrancos e levou ‘pneu’ tanto de Hyeong Chung como de Fernando Verdasco.

Nishikori teve uma bela reação contra o canhoto espanhol nesta segunda-feira, mas ficou evidente o desgaste que isso lhe causou. Perdeu quatro dos cinco primeiros games de serviço e não sei se sairia vitorioso caso tivesse perdido o saque no fundamental longo sexto game do segundo set. Verdasco exigiu bastante, mas sua intensidade foi caindo a ponto de ganhar apenas um dos últimos 10 games.

Wawrinka foi à quadra provavelmente à espera de um Gael Monfils defensivo, mas acabou encontrando um adversário decidido. Foi um belo jogo por dois sets, com chances divididas, ótimos lances e incansáveis trocas de bola. O pecado do francês foi não ter segurado o 4/2 do primeiro set, nem a quebra precoce que teve no game inicial do segundo. O serviço o deixou na mão nas horas mais impróprias.

A maior preocupação ficou por conta de um atendimento para a lombar que Stan pediu no segundo set. Felizmente, não limitou seu saque, nem Monfils usou bolas baixas que poderiam ser um martírio. Teremos de esperar para ver se isso compromete para quarta-feira quando reencontrará um compenetrado Marin Cilic.

O croata atingiu as únicas quartas de Slam que ainda não tinha no currículo quase sem esforço com o abandono por contusão de Kevin Anderson. Ele tem feito o seu melhor: saque afiado com segunda bola mortal, que lhe deram incríveis 95% de pontos vencidos na segunda rodada, e um índice baixo de erros não forçados diante de seu estilo (seu pior foram 25 falhas num partida e a média, perto de 20). Ele no entanto perdeu 11 dos 13 jogos contra Stan, com última vitória sete anos atrás.

Sinal dos tempos, se der a lógica e os quatro primeiros cabeças vencerem, este Roland Garros será o primeiro Grand Slam da Era Aberta a ter todos os semifinalistas com mais de 30 anos.

Fora do normal
A rodada feminina começou com um inesperado massacre de Simona Halep em cima de Carla Suárez, a quem nunca havia derrotado no saibro em quatro tentativas, e um sofrimento terrível de Elina Svitolina para se livrar de uma derrota que parecia iminente para Petra Martic. A croata jogou muito bem até fazer 5/2 no terceiro set e daí em diante ganhou meros seis pontos.

Karolina Pliskova também sofreu demais contra uma determinada Veronica Cepede. A valente paraguaia perdeu dois break-points fundamentais no sexto game do terceiro set, que lhe daria 4/2, e outro no oitavo, para 5/3, e isso custou caro. A tcheca ficou longe de jogar bem e terá de achar um jeito de segurar Carolina Garcia e a torcida. Aos 23 anos, 1,78m e jogo versátil, é outra que vive um sonho em Paris.

Por fim, registre-se a dolorosa derrota de Bruno Soares e Jamie Murray, que estiveram a um ponto da semifinal. Incrível. Dominavam amplamente a partida até o match-point e daí em diante a coisa foi ficando equilibrada até terminar num tenso tiebreak de terceiro set, também decidido numa única e rara falha do escocês junto à rede. Nesta terça-feira, Rogerinho Silva tenta compensar, mas vai ser duro ele e Paolo Lorenzi passarem por Verdasco e Nenad Zimonjic.

A terça-feira
– Nadal tenta mais dois feitos históricos: tornar-se o primeiro com 10 semifinais em Roland Garros (e o terceiro em Slam) e atingir a 100ª vitória no saibro em jogos de 5 sets. Seu recorde contra espanhóis é 13-0 em Paris e 20-3 em Slam.

– Único quadrifinalista que não figura no top 10, Carreño também é o menos experiente. O 21º do ranking chega agora a sua primeira participação nas quartas de um Slam. Perdeu os três jogos com Nadal, sendo dois no Rio, e ganhou um set em Doha.

– Djokovic tenta a 234ª vitória em Slam e sua 32ª semi geral, o que desempataria com Connors e ficaria atrás somente das 41 de Federer. Também será a sexta semi seguida em Paris, novo recorde.

– Mais jovem dos oito remanescentes, aos 23 anos, Thiem disputa a 250ª partida da carreira e busca segunda semi seguida em Paris. Em 2016, perdeu justamente para Djokovic. Até hoje, só ganhou um set nos cinco duelos disputados e apenas oito games em dois jogos no saibro.

– Kiki Mladenovic tenta manter sonho francês de título, depois de 17 anos, e quem sabe até de uma final toda francesa (a última foi em 1944). Melhor Slam veio no US Open de 2015, com quartas, mas é atual campeã de duplas do torneio junto a Garcia.

– Bacsinszky ganhou de Mladenovic este ano na Fed Cup, mas perdeu na grama no ano passado. Ex-top 10, completa 28 anos em três dias. Fez semi em 2015 e quartas no ano passado em Paris.

– Mais experiente, com duas finais de US Open, Wozniacki perdeu os três jogos que fez contra Ostapenko, dois deles no saibro semanas atrás. Tenta primeira semi em Roland Garros. Não jogou no ano passado por contusão.

– Outra que aniversaria dia 8 (fará 20 anos), Ostapenko é 47ª do ranking. No ano passado, não havia vencido um único jogo de Slam. Foi a parceria de Soares nas mistas, mas caíram na estreia.