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Correndo por fora
Por José Nilton Dalcim
5 de junho de 2017 às 17:44

Andy Murray e Stan Wawrinka têm sido coadjuvantes de Roland Garros até agora. Apesar da experiência, ranking e gabarito, chegaram a Paris com campanhas apagadas no saibro. Agora, se aproximam de um duelo direto na semifinal de sexta-feira com considerável favoritismo sobre seus próximos adversários. É difícil, mas por que não sonhar com o título?

O escocês esteve até agora num plano totalmente secundário, ainda mais por ter começado de forma irregular o torneio. Mas jogou muito bem contra Juan Martin del Potro e hoje contra Karen Khachanov deu mais um salto de qualidade. Entrou ligado na partida, usou muito bem o saque, variou ataques e defesas. E antes que alguém fale do pequeno currículo do russo, frise-se que ele se mostrou um tenista de grande potencial.

Embora tenha 8 a 2 de vantagem, o histórico recente mostra partidas muito duras e equilibradas frente a Kei Nishikori. O número 1 no entanto chegará na quarta-feira muito mais descansado e confiante. O japonês, que tem se queixado do quadril, ganhou aos trancos e barrancos e levou ‘pneu’ tanto de Hyeong Chung como de Fernando Verdasco.

Nishikori teve uma bela reação contra o canhoto espanhol nesta segunda-feira, mas ficou evidente o desgaste que isso lhe causou. Perdeu quatro dos cinco primeiros games de serviço e não sei se sairia vitorioso caso tivesse perdido o saque no fundamental longo sexto game do segundo set. Verdasco exigiu bastante, mas sua intensidade foi caindo a ponto de ganhar apenas um dos últimos 10 games.

Wawrinka foi à quadra provavelmente à espera de um Gael Monfils defensivo, mas acabou encontrando um adversário decidido. Foi um belo jogo por dois sets, com chances divididas, ótimos lances e incansáveis trocas de bola. O pecado do francês foi não ter segurado o 4/2 do primeiro set, nem a quebra precoce que teve no game inicial do segundo. O serviço o deixou na mão nas horas mais impróprias.

A maior preocupação ficou por conta de um atendimento para a lombar que Stan pediu no segundo set. Felizmente, não limitou seu saque, nem Monfils usou bolas baixas que poderiam ser um martírio. Teremos de esperar para ver se isso compromete para quarta-feira quando reencontrará um compenetrado Marin Cilic.

O croata atingiu as únicas quartas de Slam que ainda não tinha no currículo quase sem esforço com o abandono por contusão de Kevin Anderson. Ele tem feito o seu melhor: saque afiado com segunda bola mortal, que lhe deram incríveis 95% de pontos vencidos na segunda rodada, e um índice baixo de erros não forçados diante de seu estilo (seu pior foram 25 falhas num partida e a média, perto de 20). Ele no entanto perdeu 11 dos 13 jogos contra Stan, com última vitória sete anos atrás.

Sinal dos tempos, se der a lógica e os quatro primeiros cabeças vencerem, este Roland Garros será o primeiro Grand Slam da Era Aberta a ter todos os semifinalistas com mais de 30 anos.

Fora do normal
A rodada feminina começou com um inesperado massacre de Simona Halep em cima de Carla Suárez, a quem nunca havia derrotado no saibro em quatro tentativas, e um sofrimento terrível de Elina Svitolina para se livrar de uma derrota que parecia iminente para Petra Martic. A croata jogou muito bem até fazer 5/2 no terceiro set e daí em diante ganhou meros seis pontos.

Karolina Pliskova também sofreu demais contra uma determinada Veronica Cepede. A valente paraguaia perdeu dois break-points fundamentais no sexto game do terceiro set, que lhe daria 4/2, e outro no oitavo, para 5/3, e isso custou caro. A tcheca ficou longe de jogar bem e terá de achar um jeito de segurar Carolina Garcia e a torcida. Aos 23 anos, 1,78m e jogo versátil, é outra que vive um sonho em Paris.

Por fim, registre-se a dolorosa derrota de Bruno Soares e Jamie Murray, que estiveram a um ponto da semifinal. Incrível. Dominavam amplamente a partida até o match-point e daí em diante a coisa foi ficando equilibrada até terminar num tenso tiebreak de terceiro set, também decidido numa única e rara falha do escocês junto à rede. Nesta terça-feira, Rogerinho Silva tenta compensar, mas vai ser duro ele e Paolo Lorenzi passarem por Verdasco e Nenad Zimonjic.

A terça-feira
– Nadal tenta mais dois feitos históricos: tornar-se o primeiro com 10 semifinais em Roland Garros (e o terceiro em Slam) e atingir a 100ª vitória no saibro em jogos de 5 sets. Seu recorde contra espanhóis é 13-0 em Paris e 20-3 em Slam.

– Único quadrifinalista que não figura no top 10, Carreño também é o menos experiente. O 21º do ranking chega agora a sua primeira participação nas quartas de um Slam. Perdeu os três jogos com Nadal, sendo dois no Rio, e ganhou um set em Doha.

– Djokovic tenta a 234ª vitória em Slam e sua 32ª semi geral, o que desempataria com Connors e ficaria atrás somente das 41 de Federer. Também será a sexta semi seguida em Paris, novo recorde.

– Mais jovem dos oito remanescentes, aos 23 anos, Thiem disputa a 250ª partida da carreira e busca segunda semi seguida em Paris. Em 2016, perdeu justamente para Djokovic. Até hoje, só ganhou um set nos cinco duelos disputados e apenas oito games em dois jogos no saibro.

– Kiki Mladenovic tenta manter sonho francês de título, depois de 17 anos, e quem sabe até de uma final toda francesa (a última foi em 1944). Melhor Slam veio no US Open de 2015, com quartas, mas é atual campeã de duplas do torneio junto a Garcia.

– Bacsinszky ganhou de Mladenovic este ano na Fed Cup, mas perdeu na grama no ano passado. Ex-top 10, completa 28 anos em três dias. Fez semi em 2015 e quartas no ano passado em Paris.

– Mais experiente, com duas finais de US Open, Wozniacki perdeu os três jogos que fez contra Ostapenko, dois deles no saibro semanas atrás. Tenta primeira semi em Roland Garros. Não jogou no ano passado por contusão.

– Outra que aniversaria dia 8 (fará 20 anos), Ostapenko é 47ª do ranking. No ano passado, não havia vencido um único jogo de Slam. Foi a parceria de Soares nas mistas, mas caíram na estreia.

Está chegando a hora
Por José Nilton Dalcim
4 de junho de 2017 às 19:09

Enquanto Rafael Nadal deu outra mostra de seu excepcional momento e domínio do saibro, Novak Djokovic superou sua instabilidade e mais um adversário determinado a aproveitar a chance. Como a vida muda. Dois anos atrás, víamos exatamente o oposto. Um soberano e absoluto, o outro a esgrimar com seus fantasmas. Agora, só falta mais um degrau para os dois se reencontrarem, outra vez por caminhos diferentes.

Rafa entrará nas quartas de final como superfavorito diante de Pablo Carreño, um especialista na terra com golpes sólidos mas altos e baixos emocionais. Neste domingo, Nadal atropelou Roberto Bautista como se do outro lado da quadra estivesse um top 100. Carreño ao contrário precisou de um esforço gigantesco de 4h21 para derrotar Milos Raonic no melhor jogo do torneio até agora, repleto de grandes lances, alternâncias e tensão até o último game. É possível Carreño dar trabalho a Rafa, desde que jogue um estágio acima e ainda encontre um compatriota menos inspirado. Chance pequena, claro.

Para Djoko, só se espera um desafio ainda maior: Dominic Thiem. O sérvio já vinha de um jogo exigente contra Diego Schwartzman e aí encarou um primeiro set duríssimo frente Albert Ramos – canhoto que basicamente joga no estilo de Nadal – em que alternou erros bobos com grandes lances. Só se liberou depois de vencer o tiebreak e aí sim pudemos ver um digno campeão. A diferença de intensidade, tal qual havia acontecido contra Diego, foi gritante.

Mas Thiem está em outro patamar. Sua bola tem muito mais peso, a começar com um saque que raramente é inferior a 200 km/h. O austríaco coloca pressão, usa muito bem as paralelas e é preciso fugir de seu forehand matador. Claro que Djokovic é o maior candidato, mas precisará iniciar o jogo melhor do que vem fazendo porque terá pela frente um adversário que acaba de derrotar o próprio Nadal e está totalmente descansado, sem ter perdido um único set até aqui. Expectativa de uma batalha fenomenal na terça-feira.

A chave feminina também teve uma notícia e tanto: Roland Garros obrigatoriamente verá uma campeã inédita depois que Garbiñe Muguruza tropeçou na sua irregularidade e fez a festa de Kiki Mladenovic. Sua adversária será Timea Bacsinszky, de jogo variado mas pouca potência, que virou diante de uma desgastada Venus Williams.

E dentro desse quadro, surge uma enorme oportunidade para Carol Wozniacki voltar a uma final de Grand Slam – fez duas no US Open -, já que é de longe a mais experiente entre as quatro. Sem falar que faz sua melhor temporada dos últimos três anos. A próxima barreira é a garota Jelena Ostapenko, belos golpes de base e nervos no lugar. Não pode ser menosprezada.

Últimas vagas
No complemento dos jogos de sábado, ainda pela terceira rodada, destaque para a nova surpresa do russo Karen Khachanov, de 21 anos e um pesado jogo de base. Depois de tirar Tomas Berdych com um festival de winners, ele conseguiu a proeza de derrotar John Isner levando dois de três tiebreaks. É para tirar o sono de Andy Murray, seu próximo adversário.

Gael Monfils levou sorte com o abandono de Richard Gasquet, principalmente porque evitou um desgaste enorme de uma partida que pintava para cinco sets e muitas horas. Poupou esforço para a batalha contra Stan Wawrinka. Por fim, Kei Nishikori amargou um ‘pneu’ e só foi tirar o valente Hyeong Chung num duro quinto set.

Com isso, vamos ver os destaques da rodada desta segunda-feira, que completa as oitavas de final nos dois sexos:

– Murray busca a 650ª vitória da carreira e a 7ª presença (4ª seguida) nas quartas do torneio diante de Khachanov, que pode ser o primeiro desde Nadal em 2005 a ir tão longe logo em sua primeira participação em Paris.
– Wawrinka só perdeu 1 de 9 duelos contra franceses em Roland Garros (Tsonga, em 2012). Se Monfils avançar, igualará Leconte e Noah como o tenista da casa com mais quartas disputadas (5). O placar dos duelos está 2 a 2, mas não se cruzam desde 2011 e jamais o fizeram no saibro.
– Cilic tem uma meta especial, já que Roland Garros é o único Slam onde não chegou ao menos nas quartas na carreira. Ganhou 5 dos 6 confrontos contra Anderson, mas única derrota foi no saibro de Roma-2013. Nenhum sul-africano fez quartas em Paris na Era Aberta.
– Nishikori vem de três vitórias seguidas sobre Verdasco, incluindo a de cinco sets em Roland Garros do ano passado. Espanhol é o tenista em atividade com mais quinto set disputado (23), cinco deles virando de 0-2. Se vencer, será o tenista que mais vezes tentou até atingir as quartas de Paris (14 vezes).
– Halep x Suárez é a grande promessa da rodada feminina, duas jogadoras experientes e com histórico em Slam. O placar mostra 6 a 5 para a romena, porém a espanhola ganhou todas as 4 no saibro.
– Também imprevisível o duelo francês de Garcia e Cornet, que fizeram um único confronto oficial sete anos atrás. Pliskova ao contrário tem amplo favoritismo contra Cepede e Svitolina, sobre Martic.

Sucesso nas duplas
No pior de seus pisos, Bruno Soares e o escocês Jamie Murray continuam firmes e chegam às quartas de final de Roland Garros como os cabeças mais altos. Aliás, cinco das oito parcerias nem são cabeças.

Não é impossível termos uma semifinal entre Bruno e Rogerinho Silva, mas a tarefa do mineiro é bem menos difícil do que a do paulista, já que pega Santiago Gonzalez/Donald Young. Cabe a Rogerinho e Paolo Lorenzi encarar Fernando Verdasco/Nenad Zimonjic. Talvez, a melhor coisa fosse Verdasco vencer Nishikori, ir às quartas de simples e esquecer a dupla. Torçamos.

E Marcelo Demoliner consegue seu primeiro grande resultado em Slam, ao atingir as quartas nas mistas ao lado da boa duplista Maria Jose Martinez, que já foi 4ª do mundo. Neste domingo, a dupla do gaúcho tirou os campeões do Australian Open salvando match-points. A próxima missão não é fácil: Anna-Lena Groenefeld e Robert Farah.

Ajuda divina
Por José Nilton Dalcim
1 de junho de 2017 às 19:10

Alguém lá em cima está disposto a ajudar Andy Murray. O número 1 do mundo não jogou grande coisa, mas avançou duas rodadas em quatro sets e parece repentinamente com chance de ir até a semifinal de Roland Garros. Do jeito que vinha sua temporada, será um lucro astronômico.

Juan Martin del Potro seria um adversário muito interessante de terceira rodada, mas há até chance de o argentino sequer entrar em quadra. Fala-se nas bastidores de estiramento no adutor e é impossível jogar tênis assim, ainda mais de alto nível.

Depois de ser atendido fora da quadra e ceder o empate de um set, Delpo viu acontecer um drama ainda pior com Nicolás Almagro. O espanhol sentiu o joelho, que já vinha abalado de Roma, e ficou estendido em quadra aos prantos, uma cena rara senão inédita no circuito. Comovente.

O britânico ainda viu o russo Karen Khachanov, 21 anos e 1,98m, passar por Tomas Berdych com belos golpes – foram 51 winners em 32 games – e se transformar no adversário de John Isner. Não é o mais feio dos cenários. Logo abaixo acontecerá o duelo asiático de Kei Nishikori e Hyeong Chung e o de Pablo Cuevas com Fernando Verdasco. O japonês foi bem, mas difícil saber até onde vai seu físico e esse seria outro cenário a ajudar Murray.

Muito melhor se saiu Stan Wawrinka, que até poderia ter vencido mais rapidamente Alexandr Dolgopolov. O importante no entanto é que ele apresentou suas conhecidas armas e nem mesmo discussão com Cedric Mourier – sim, ele de novo – tirou o suíço do sério. Nada no entanto estará fácil. Agora vem Fabio Fognini e depois quem passar do duelo francês entre Gael Monfils e Richard Gasquet.

Se sobreviver a tudo isso, Wawrinka será amplo favorito nas quartas já que o adversário sai do grupo Maric Cilic-Feliciano López e Kyle Edmund-Kevin Anderson. Se o britânico atropelou aquele Renzo Olivo que tanto brilhou contra Jo-Wilfried Tsonga, o sul-africano virou o jogo em cima de Nick Kyrgios. Difícil entender o australiano, que foi de um excepcional primeiro set a um desempenho e comportamento medíocres.

Vale ainda registrar o feito de Verdasco. O canhoto espanhol disputou seu 40º quinto set em Grand Slam e só é superado na Era Profissional por Lleyton Hewitt (45) e Andre Agassi (41).

Adeus brasileiro
O tênis brasileiro se despediu das chaves de simples com a previsível derrota de Thiago Monteiro. Enfrentar um tenista de tantos recursos como Gael Monfils na gigantesca quadra central e diante de maciço público era uma tarefa hercúlea.

O cearense parece ter demorado para se aclimatar a tudo isso, mas principalmente achar um jeito de competir com o estilo do francês, que não arrisca nada, chega em tudo e espera a hora de disparar um saque perfeito ou um winner desconcertante.

Apesar de tudo, Monteiro conseguiu duas quebras de serviço no segundo set e a se lamentar principalmente o desperdício da chance quando tinha 2/3 e saque para empatar. A experiência serve acima de tudo para mostrar as várias brechas no tênis do brasileiro e trabalhar duro. Entre elas, sem dúvida, o jogo de rede e o que fazer com as bolas curtas.

As meninas
A rodada feminina viu sustos de Elina Svitolina e Aga Radwanska, que precisaram de viradas, e trabalho de Karolina Pliskova diante da boa russa Ekaterina Alexandrova. A cabeça 12 Madison Keys caiu, porém muito mais por conta do punho esquerdo novamente dolorido.

Simona Halep também não jogou seu melhor, mas passou de novo em dois sets e vai poupando o tornozelo machucado. Inesperado mesmo é o duelo sul-americano que vai levar a colombiana Mariana Duque ou a paraguaia Veronica Cepede às oitavas. Ressalte-se que Cepede tirou Safarova e agora Pavluychenkova.

Começa a terceira fase
– Djokovic tenta alcançar as oitavas pelo 8º ano seguido e pega Schwartzman, que nunca bateu um top 10 em 12 tentativas. Se vencer, sérvio iguala as 58 vitórias de Vilas em Paris.
– Nadal joga sua 100ª partida de cinco sets no saibro diante de Basilashvili. O georgiano de 25 anos tirou Simon e Troicki até agora e ganhou de Thiem em fevereiro.
– Raonic pega o 153º do ranking, mas esse é Garcia-López, ex-top 30 que três anos atrás bateu Wawrinka na estreia. O espanhol no entanto está com problema sério no quadríceps e é dúvida.
– Segundo melhor da temporada com 32 vitórias, Thiem é favorito contra Johnson, que nunca fez oitavas em Slam mas ganhou Houston neste ano.
– Goffin levou a melhor em quatro dos cinco duelos contra o canhoto Zeballos em todos os pisos, incluindo a grama.
– Dimitrov precisa derrotar Carreño para atingir as oitavas no único Slam em que não foi tão longe até hoje. Ganhou 3 dos 4 duelos. Carreño nunca chegou à quarta fase de qualquer Slam.
– Os jogos de Pouille-Ramos e Bautista-Vesely completam a rodada. Eu apostaria nos espanhóis, embora torça pelo francês e goste do jogo kamikaze do tcheco.
– Rodada feminina tem duelo veterano de Stosur-Mattek, a garota Bellis contra Wozniacki e a surpreendente Ons frente Bacsinszky. Todos valem uma espiada. A campeã Muguruza enfrenta a 31ª do ranking Putintseva, que tem feito temporada fraca.