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Ajuda divina
Por José Nilton Dalcim
1 de junho de 2017 às 19:10

Alguém lá em cima está disposto a ajudar Andy Murray. O número 1 do mundo não jogou grande coisa, mas avançou duas rodadas em quatro sets e parece repentinamente com chance de ir até a semifinal de Roland Garros. Do jeito que vinha sua temporada, será um lucro astronômico.

Juan Martin del Potro seria um adversário muito interessante de terceira rodada, mas há até chance de o argentino sequer entrar em quadra. Fala-se nas bastidores de estiramento no adutor e é impossível jogar tênis assim, ainda mais de alto nível.

Depois de ser atendido fora da quadra e ceder o empate de um set, Delpo viu acontecer um drama ainda pior com Nicolás Almagro. O espanhol sentiu o joelho, que já vinha abalado de Roma, e ficou estendido em quadra aos prantos, uma cena rara senão inédita no circuito. Comovente.

O britânico ainda viu o russo Karen Khachanov, 21 anos e 1,98m, passar por Tomas Berdych com belos golpes – foram 51 winners em 32 games – e se transformar no adversário de John Isner. Não é o mais feio dos cenários. Logo abaixo acontecerá o duelo asiático de Kei Nishikori e Hyeong Chung e o de Pablo Cuevas com Fernando Verdasco. O japonês foi bem, mas difícil saber até onde vai seu físico e esse seria outro cenário a ajudar Murray.

Muito melhor se saiu Stan Wawrinka, que até poderia ter vencido mais rapidamente Alexandr Dolgopolov. O importante no entanto é que ele apresentou suas conhecidas armas e nem mesmo discussão com Cedric Mourier – sim, ele de novo – tirou o suíço do sério. Nada no entanto estará fácil. Agora vem Fabio Fognini e depois quem passar do duelo francês entre Gael Monfils e Richard Gasquet.

Se sobreviver a tudo isso, Wawrinka será amplo favorito nas quartas já que o adversário sai do grupo Maric Cilic-Feliciano López e Kyle Edmund-Kevin Anderson. Se o britânico atropelou aquele Renzo Olivo que tanto brilhou contra Jo-Wilfried Tsonga, o sul-africano virou o jogo em cima de Nick Kyrgios. Difícil entender o australiano, que foi de um excepcional primeiro set a um desempenho e comportamento medíocres.

Vale ainda registrar o feito de Verdasco. O canhoto espanhol disputou seu 40º quinto set em Grand Slam e só é superado na Era Profissional por Lleyton Hewitt (45) e Andre Agassi (41).

Adeus brasileiro
O tênis brasileiro se despediu das chaves de simples com a previsível derrota de Thiago Monteiro. Enfrentar um tenista de tantos recursos como Gael Monfils na gigantesca quadra central e diante de maciço público era uma tarefa hercúlea.

O cearense parece ter demorado para se aclimatar a tudo isso, mas principalmente achar um jeito de competir com o estilo do francês, que não arrisca nada, chega em tudo e espera a hora de disparar um saque perfeito ou um winner desconcertante.

Apesar de tudo, Monteiro conseguiu duas quebras de serviço no segundo set e a se lamentar principalmente o desperdício da chance quando tinha 2/3 e saque para empatar. A experiência serve acima de tudo para mostrar as várias brechas no tênis do brasileiro e trabalhar duro. Entre elas, sem dúvida, o jogo de rede e o que fazer com as bolas curtas.

As meninas
A rodada feminina viu sustos de Elina Svitolina e Aga Radwanska, que precisaram de viradas, e trabalho de Karolina Pliskova diante da boa russa Ekaterina Alexandrova. A cabeça 12 Madison Keys caiu, porém muito mais por conta do punho esquerdo novamente dolorido.

Simona Halep também não jogou seu melhor, mas passou de novo em dois sets e vai poupando o tornozelo machucado. Inesperado mesmo é o duelo sul-americano que vai levar a colombiana Mariana Duque ou a paraguaia Veronica Cepede às oitavas. Ressalte-se que Cepede tirou Safarova e agora Pavluychenkova.

Começa a terceira fase
– Djokovic tenta alcançar as oitavas pelo 8º ano seguido e pega Schwartzman, que nunca bateu um top 10 em 12 tentativas. Se vencer, sérvio iguala as 58 vitórias de Vilas em Paris.
– Nadal joga sua 100ª partida de cinco sets no saibro diante de Basilashvili. O georgiano de 25 anos tirou Simon e Troicki até agora e ganhou de Thiem em fevereiro.
– Raonic pega o 153º do ranking, mas esse é Garcia-López, ex-top 30 que três anos atrás bateu Wawrinka na estreia. O espanhol no entanto está com problema sério no quadríceps e é dúvida.
– Segundo melhor da temporada com 32 vitórias, Thiem é favorito contra Johnson, que nunca fez oitavas em Slam mas ganhou Houston neste ano.
– Goffin levou a melhor em quatro dos cinco duelos contra o canhoto Zeballos em todos os pisos, incluindo a grama.
– Dimitrov precisa derrotar Carreño para atingir as oitavas no único Slam em que não foi tão longe até hoje. Ganhou 3 dos 4 duelos. Carreño nunca chegou à quarta fase de qualquer Slam.
– Os jogos de Pouille-Ramos e Bautista-Vesely completam a rodada. Eu apostaria nos espanhóis, embora torça pelo francês e goste do jogo kamikaze do tcheco.
– Rodada feminina tem duelo veterano de Stosur-Mattek, a garota Bellis contra Wozniacki e a surpreendente Ons frente Bacsinszky. Todos valem uma espiada. A campeã Muguruza enfrenta a 31ª do ranking Putintseva, que tem feito temporada fraca.

Ele voltou?
Por José Nilton Dalcim
20 de maio de 2017 às 16:56

Três adversários de gabarito, três vitórias cheias de golpes perfeitos, concentração, alegria e vibração. Novak Djokovic voltou a seu melhor tênis ainda em tempo hábil para brigar pelo bicampeonato em Roland Garros?

Acho que o título neste domingo em Roma ainda fará parte importante dessa resposta, embora seja inegável que o Nole que temos visto no Fóro Itálico é completamente diferente de Monte Carlo ou Madri. No entanto, ganhar seu primeiro título importante desde agosto em cima de Alexander Zverev, outro grande nome da temporada e da nova geração, dará o retoque final e essencial.

Djokovic voltou a usar sua magistral devolução para destruir taticamente Juan Martin del Potro e Dominic Thiem. Em pleno saibro, esperou os segundos saques um passo dentro da quadra e tomou rapidamente conta dos pontos. Se precisou entrar numa troca mais longa, usou bolas profundas nas cruzadas e paralelas precisas. Sacou firme, confiante. Sufocou o argentino e seu débil backhand, esmagou Thiem ao impor a mais categórica vitória sobre o austríaco em cinco confrontos.

Todos esses predicados serão importantes contra Zverev, um adversário a quem nunca enfrentou. O alemão terá contra si o compreensível nervosismo de fazer sua primeira final de Masters diante de um oponente que tenta recuperar o recorde de troféus dessa categoria e atingir o 31º.

Zverev tem um arsenal respeitável, desde o saque até as bolas de base. O forehand é um pouco mais vulnerável, assim como a movimentação de seu 1,98m. O garoto no entanto é ousado. Dá curta, vai à rede, arrisca winners. Fez uma partida difícil contra John Isner neste sábado, tirando três serviços do grandalhão. Ou seja, teve paciência para esperar suas chances.

Se conseguir um surpreendente título em Roma, Zverev concretizará muito antes do esperado o primeiro degrau significativo dos grandes, que é atingir o top 10. E já embolsará um troféu de Masters, igualando-se imediatamente a tenistas muito mais experientes que se limitaram a uma isolada conquista desse porte em toda a carreira, como Wawrinka, Ferrer, Berdych, Haas, Soderling e Norman.

O domingo em Roma será especial, de um jeito ou de outro.

A estrela sobe
Por José Nilton Dalcim
19 de maio de 2017 às 18:54

Dominic Thiem deu mais um passo de peso em sua temporada e carreira. Afinal, não é todo dia que alguém derrota Rafael Nadal num Masters sobre o saibro, façanha reservada a um seleto grupo formado por Novak Djokovic (6 vezes), Andy Murray (2), Roger Federer (2), Stan Wawrinka, David Ferrer, Fernando Verdasco e Juan Carlos Ferrero a partir de 2005.

Thiem teve uma atuação surpreendente e espetacular. Começou pela postura diferenciada para esperar o primeiro saque de Rafa, pegando várias vezes a bola na subida e com isso acelerando a devolução. Não vamos esquecer que na véspera ele havia salvado três match-points diante de Sam Querrey.

Depois, Thiem usou muito bem o backhand em diversos contraataques e não se intimidou com os balões constantes em cima do golpe, que geralmente o levam a encurtar a bola. Para ser perfeito, faltou apenas usar melhor o primeiro saque. Permitiu sete break-points, porém salvou a maciça maioria com coragem e precisão.

Nadal não jogou mal, mas teve dificuldade para encontrar soluções adequadas diante das bolas bem profundas e cheias de efeito de Thiem. Talvez não dê para se ver bem na TV, mas o austríaco coloca muito giro em seus golpes, o que costumamos chamar de ‘bola pesada’.

Ele terá de esperar até o começo da tarde (horário local) de sábado para saber se irá reencontrar Novak Djokovic, de quem só tirou um set em quatro duelos, ou fará confronto com Juan Martin del Potro, para quem perdeu duas vezes em 2016. Do jeito que a partida ia antes de a chuva atrapalhar, Nole é o grande candidato. Apesar de games duros, mostrava de novo a excepcional competência nas devoluções e dava pouco espaço para Delpo disparar forehands. Mas como cada dia é um dia no tênis, tudo pode acontecer na retomada.

Se Thiem vai atrás de sua segunda final consecutivas de Masters, o alemão Alexander Zverev faz a primeira da carreira e com chances reais de chegar à decisão de domingo, já que vai enfrentar John Isner. É fato que o gigante americano de 32 anos sacou muito contra Marin Cilic e já levou Nadal a cinco sets em Roland Garros, mas é bem menos consistente no fundo da quadra, com evidente dificuldade de deslocamento e backhand sempre defensivo.

Caso Thiem e Zverev façam uma inesperada final em Roma, teremos a mais jovem decisão de nível Masters desde que Andy Murray derrotou Del Potro em Montréal de 2009. E a primeira sem o Big 4 desde Paris de 2012.

A derrota muda algo para Nadal? Não, ainda que faz três anos seguidos que ele não passa das quartas em Roma e, coincidência ou não, caiu antes da semi em Paris. O bom para o tênis é que Thiem passa de vez a correr por fora, Zverev pode ser um obstáculo para qualquer um e especialmente vemos Nole bem mais animado. Se o sérvio faturar o título, vai ficar perigoso outra vez.

As semifinais femininas também são um certo alívio para Roland Garros. Simona Halep se firma entre as candidatas, Garbine Muguruza dominou os nervos para tirar Venus Williams e Elina Svitolina soube trabalhar em cima do estilo risco total de Karolina Pliskova.

Quem levar Roma, terá um ‘upgrade’ e tanto. Ah, Kiki Bertens, que gosta de mudar o ritmo do jogo e usa boas curtinhas, obviamente pode ser a surpresa.