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Rafa tem curiosa escalada ao número 1
Por José Nilton Dalcim
4 de agosto de 2017 às 23:35

Ainda bem que Montréal assistirá à chance de mudança na liderança do ranking e do reencontro entre os dois grandes nomes da temporada. Caso contrário, as ausências de Andy Murray, Novak Djokovic e Stan Wawrinka causariam um desastre, ainda mais quando vimos as surpresas e sofrimentos dos cabeças em Washington nesta semana.

A caminhada de Nadal rumo à retomada do número 1 é curiosa. Pode enfrentar Borna Coric na estreia, um tenista que hoje oferece pouco perigo mas tem histórico de duas vitórias em três jogos, e segue contra quem passar de John Isner e Juan Martin del Potro. Com o piso teoricamente lento, o canhoto espanhol tem favoritismo nos dois casos, embora Isner venha em bom momento.

Por fim, viria seu jogo mais importante da semana, já que Rafa precisa atingir a semifinal de Montréal para superar Andy Murray. E o principal candidato é o dono da casa, Milos Raonic. O canadense fez um bom Wimbledon, mas sequer passou por Jack Sock nesta quinta-feira em Washington.

A outra vaga na semifinal parece estar entre Alexander Zverev e Jo-Wilfried Tsonga, e ouso dizer que o alemão tem as melhores condições. De novo, espera-se um reencontro com Nick Kyrgios, porém o australiano teve um desempenho pífio em Washington e optou por abandonar depois de lances de dolorosa mediocridade. Tsonga tem uma estreia delicada contra Gilles Muller ou Sam Querrey e ainda pode cruzar com Kevin Anderson, que dia a dia recupera seu tênis de top 20.

No papel, Roger Federer se deu melhor no sorteio. Aguarda Vasek Pospisil ou Peter Polansky, deve encarar Jack Sock e depois possivelmente Kei Nishikori. A semi pode ter de tudo, de Grigor Dimitrov a Misha Zverev, de Tomas Berdych a Dominic Thiem. Em condições normais, ninguém com condições de ameaçar seriamente o número 3 do ranking qualquer que seja a velocidade do piso.

A última vez que Montréal não viu um Big 4 como campeão foi em 2003, com Andy Roddick. Mesmo desfalcado, tudo indica que a soberania vai continuar.

Outra baixa
Aquele incômodo no joelho que perseguiu Stan Wawrinka nos últimos torneios se transformou numa cirurgia e obrigatório afastamento para o restante da temporada, seguindo os passos de Djokovic. Ao menos, a previsão é que sua queda no ranking seja menor e ele tem até chance de terminar o ano entre os top 10 graças aos 3.150 pontos que acumulou desde janeiro.

No entanto, a longa parada de Stan preocupa mais. Em primeiro lugar, seu retorno se daria no piso sintético da Oceania e todo mundo sabe o quanto a quadra dura não é ideal para quem tem problema no joelho. Em 2013, Nadal adiou a volta estrategicamente para o saibro sul-americano para sofrer impacto menor. Além disso, Wawrinka sempre teve dificuldade para se manter no peso – o que aliás também força as articulações – e portanto terá de ser muito disciplinado nos próximos seis meses. Quem o conhece, considera isso uma tarefa bem difícil.

De olho em Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
18 de junho de 2017 às 19:35

O tênis brasileiro vai com tudo para Wimbledon. Nas duplas, é claro. Marcelo Melo e Bruno Soares conquistaram títulos logo na abertura da temporada de grama e têm de estar na lista de favoritos. Vale lembrar que o Brasil não conquista um troféu em Wimbledon entre os adultos desde 1966.

Melo já esteve bem perto de realizar seu maior sonho, quando chegou à final em 2013. Agora, lidera o ranking da temporada ao lado de Lukasz Kubot com títulos em todos os pisos – este foi seu primeiro na grama – e os dois vão para mais um teste em Halle para chegarem prontinhos no All England Club.

Bruno, ao contrário, já tem quatro triunfos no piso natural do tênis e atingiu as quartas de Wimbledon nas três últimas temporadas. Jogar ao lado do canhoto Jamie Murray e automaticamente da torcida é um trunfo. O escocês foi vice de Wimbledon em 2015. A dupla se testa nesta semana em Queen’s.

Como terceiro do ranking individual, Melo tem grande chance de sair como cabeça 2 em Wimbledon e aí teremos de torcer para que Bruno vá para o outro lado da chave.

Em simples, os dois primeiros torneios na grama trouxeram uma boa surpresa: Lucas Pouille usou um poderoso misto de ótimo saque – fez 29 aces na final -, excelentos voleios e um sólido jogo de base para conquistar Stuttgart. Ainda não é um tenista totalmente confiável em função de baixas repentinas, porém tem se mantido no top 20 desde setembro.

ATP 500
Depois da decepção em Stuttgart, Roger Federer precisa mostrar serviço em Halle para demonstrar que a tática de saltar o saibro foi mesmo válida. A derrota contra Tommy Haas em Stuttgart não deveria ter acontecido, já que liderava a partida, mas a grama é traiçoeira e talvez seja o piso que menos permita deslizes.

Federer terá bons desafios em Halle. Começa com o experiente Yen-Hsun Lu, deve seguir com o perigoso Mischa Zverev até chegar em Pouille. A semi poderá ser diante de Kei Nishikori. O outro lado tem Dominic Thiem de cabeça 2, Alexander Zverev com boa chance e especialistas como Haas e Bernard Tomic. Pode acontecer qualquer coisa.

Muita expectativa também em cima de Andy Murray em Queen’s. Ele volta a seu melhor piso ligeiramente recuperado depois da campanha em Roland Garros. No entanto, há a eterna pressão de jogar em casa e ainda terá de se esforçar diante de Sam Querrey, Gilles Muller ou Jo-Wilfried Tsonga, sem falar numa semi contra Nick Kyrgios ou Marin Cilic. Aliás, o croata terá John Isner logo na primeira rodada!

Stan Wawrinka contratou Paul Annacone para ajudá-lo a se adaptar à grama e estreia logo contra Feliciano López. Mau negócio. Se embalar, pode ter Tomas Berdych nas quartas e uma semi diante de MilosRaonic ou Grigor Dimitrov. Sem dúvida, excelentes testes.

Futuro
O excepcional trabalho de base do tênis canadense mostra novamente resultados. Neste domingo, Denis Shapovalov, canhoto que bate backhand de uma mão, passou o quali de Queen’s com seus tenros 18 anos, enquanto o incrível Felix Auger-Aliassime foi campeão do challenger de Lyon aos 16 anos, saltando para perto do 230º posto do ranking. Garimpar talentos e oferecer oportunidades resulta nisso.

P.S.: Graças a um esforço notável de Bruna Dalcim, o Blog volta ao ar. Peço desculpas pelo inconveniente. Observem que foi necessária a troca de domínio e de servidor: o Blog agora está como ‘www.blogdotenisbrasil.com’. Vamos em frente!

Chuva frustra, mas não complica. Ainda.
Por José Nilton Dalcim
6 de junho de 2017 às 14:39

Claro que é um tanto frustrante vermos os jogos de Novak Djokovic e Rafael Nadal serem adiados para quarta-feira. (E imagino como foi triste para quem tinha ingressos em Paris…)

Mas a rigor isso não muda nada no torneio. Felizmente. Sim, porque Roland Garros sempre programou suas duas semifinais masculinas para a sexta-feira e assim não haverá qualquer perda ou ganho para os quadrifinalistas envolvidos. A rigor, na verdade, só ajudará mesmo Kei Nishikori descansar mais poucas horas, o que em tese ajudará o espetáculo.

Antes que se faça exageradas críticas à Federação Francesa, que é a responsável pelo torneio e pelo complexo, vale lembrar que a ideia de ampliar e cobrir a quadra central foi incansavelmente discutida entre 2004 e 2008 e o plano geral de modernização, apresentado em 2009. Aí começaram as brigas.

O Conselho da Cidade foi contra e a FFT chegou a procurar outro lugar para Roland Garros. Por fim, decidiu ficar e em 2011 apresentou outro projeto de reformas, porém os ecologistas entraram na luta e obtiveram sucessivos adiamentos. Em 2015, a nova proposta foi aprovada e estabeleceu 2019 como data final.

O início do trabalho, no entanto, acabou suspenso porque a Corte Administrativa de Paris entrou com recurso e a Federação precisou apelar contra ele. Ganhou por fim a causa em fevereiro deste ano. Ainda assim, o calendário para cobrir a Philippe Chatrier está mantido para 2019.

As reformas serão grandes. Dois lados inteiros de arquibancada terão de ser derrubados e reconstruídos, bem como inutilização de duas quadras e a paralisação de outras três. Por isso, ainda em 2018, haverá novas quadras 7 e 9. O teto, como nos demais Slam, será fechado em 15 minutos. O custo geral está na casa dos US$ 350 milhões.

Semifinal inesperada
E nem mesmo a chuva de terça-feira e as duas paralisações conseguiram evitar uma bela surpresa na primeira semifinal feminina: a letã Jelena Ostapenko, tenros 19 anos e 47ª do ranking, contra a suíça Timea Bacsinszky, oito anos mais velha. Curiosamente, as duas fazem aniversário exatamente no dia 8, quinta-feira, data em que irão se enfrentar.

Bom, vamos dizer claro que Timea está longe de ser uma surpresa por seu currículo, mas acima de tudo por ter encarado uma francesa e sua torcida em plena quadra central e mostrado muita personalidade. Abusou de deixadinhas – e faz a maioria delas de forehand, algo pouco usual – mas também disparou aces, um deles de segundo serviço, algo também nada convencional entre as meninas.

A suíça já foi top 10 do ranking há 13 meses, antes mesmo de atingir a semifinal de Roland Garros. Também tem quartas na grama e joga bem duplas, tendo ido à final olímpica do Rio. O mais interesse é ver seu estilo cheio de toques e efeitos.

Jelena faz uma campanha espetacular e não respeitou o currículo muito superior de Carol Wozniacki, a quem havia derrotado nos três jogos anteriores. Saiu atrás do placar e nunca desistiu de bater na bola na buscar das linhas. Aliás, mostra também um excelente deslocamento e boa capacidade de defesa. Fechou a partida como incrível autoridade.

Embora totalmente inesperada, esta semifinal tem todos os ingredientes para ser um belo espetáculo em Paris.