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Primeiras impressões
Por José Nilton Dalcim
23 de junho de 2017 às 17:36

Os ATP 500 da grama mostram alguns nomes que precisaremos observar quando Wimbledon chegar, dentro de 10 dias. Além é claro de Roger Federer, evidencia-se a adaptação sempre boa de Richard Gasquet, Grigor Dimitrov e Feliciano López ao piso natural do tênis.

Grama é um lugar que geralmente requer experiência e favorece os mais rodados no circuito. Queen’s deixa isso bem claro. Dos quatro semifinalistas, dois são antigos campeões (Dimitrov e Marin Cilic) e os outros estão embalados: López, vice em Stuttgart, e Gilles Muller, que faturou na Holanda.

Daí seja saboroso o fato de termos dois garotos nas semifinais desses ATP 500. Se o russo Karen Khachanov se favoreceu da contusão de Kei Nishikori, o alemão Alexander Zverev já tem currículo no piso. Aliás, pode ser o primeiro tenista da temporada a somar troféus em três superfícies distintas.

Os dois garotos se misturam a um festival de ‘trintões’, que novamente justificam a regra da maior experiência. Temos Federer, perto dos 36, e Gasquet, que acabou de completar 31, em Halle mas também os canhotos Muller, 34, e López, 35, em Londres. Como se vê, média bem alta.

Vale ressaltar a notável eficiência de Cilic até agora: em três jogos, perdeu apenas seis pontos quando acertou o primeiro saque. Ao menos por enquanto, somando-se tantas surpresas na semana, tudo indica que teremos em Wimbledon um Grand Slam bem imprevisível.

– Bia Haddad perdeu incrível chance de derrotar a top 50 Mona Barthel no fortíssimo quali de Eastbourne, em que todas as 12 cabeças de chave estão entre as 90 do ranking e a principal inscrita é 29ª. Bia teve 6/3 e sacou com 5/1 e 5/3 no segundo set e com 5/4 no terceiro. Apesar da dura derrota, fica claro que, se tiver sorte na formação da chave, a canhota paulista pode passar rodadas em Wimbledon.

– Thomaz Bellucci anunciou o segundo rompimento com o técnico João Zwetsch e diz que vai seguir sozinho por algum tempo. Me pergunto o quanto as recentes derrotas para Thiago Monteiro pesaram no clima.

– O britânico Daniel Evans foi testado positivo em abril, durante Barcelona, pelo uso de cocaína, droga de caráter social que não costuma influir no rendimento esportivo. Está suspenso e fora de Wimbledon, aguardando a pena que pode chegar a dois anos.

A estrela sobe
Por José Nilton Dalcim
12 de fevereiro de 2017 às 21:49

Alexander Zverev é, cada vez mais, o grande nome da nova geração. Ainda vai completar 20 anos em abril e já ostenta dois troféus de simples e um de duplas de nível ATP. Se pensarmos que sua carreira efetiva começou em 2015, é um salto e tanto.

Há muitos detalhes que apontam para um futuro brilhante. Só os números já dizem muito. De suas 69 vitórias de primeira linha, 37 foram na quadra dura, 21 no saibro e 11 na grama. Tem quatro vitórias sobre top 10, porém a lista de triunfos sobre nomes expressivos é relevante: Roger Federer, Stan Wawrinka, Dominic Thiem, Tomas Berdych, Marin Cilic, David Goffin, Grigor Dimitrov, John Isner e Jack Sock. Já tem quatro finais de ATP, com dois títulos na quadra dura coberta. Quando precisou jogar sets decisivos, venceu 29 e perdeu 20.

De onde vem todo esse sucesso? Zverev foi moldado como o tenista mais moderno possível: saque poderoso, forte jogo de base dos dois lados. Tem defeitos? Claro. A transição à rede ainda é imperfeita e os voleios precisam ser trabalhados. Com 1,98m, pode melhorar a movimentação, embora é claro isso nunca será seu ponto forte. Precisa aprender a dosar a energia em jogos mais longos, que muitas vezes escapam por falta de pernas. A cabeça no entanto chama muito a atenção. Embora ‘reclamão’, não tem medo de ousar, seja quem for do outro lado da rede. O exemplo perfeito foi neste domingo contra o tricampeão Richard Gasquet dentro de Montpellier.

Não menos notável é o fato de ele ter conquistado também o título de duplas neste domingo, ao lado do irmão mais velho Misha. Outra prova de sua versatilidade, embora certamente as duplas estejam num plano muito distante neste momento.

A campanha dará a Zverev o 18º lugar do ranking, seu recorde pessoal, mas ainda com pouca chance de sonhar com o top 15, já que está 520 pontos atrás de Nick Kyrgios. Ele no entanto pode subir novos degraus em Roterdã, a partir de terça-feira.

Não menos animadora foi a atuação de Grigor Dimitrov em Sofia. Diante de seu público pela primeira vez, ele lotou arquibancada a cada rodada. Se isso é um incentivo, também se torna uma pressão. Mas ele repetiu as boas atuações de Brisbane e Melbourne, controlando os nervos e sabendo a hora certa de atacar. Gannou 14 de 15 partidas na temporada, sendo seis sobre top 20 e três em cima de top 10. Agora 12º do ranking, ele não descansa e também segue direto para Roterdã.

Na contramão da juventude, o dominicano Victor Estrella imitou Guga e fez um coração no saibro de Quito para consagrar seu tricampeonato consecutivo. Aos 36 anos e seis meses, ele sobreviveu a jogos duríssimos, com três viradas, sete tiebreaks jogados e quatro match-points evitados, eliminando os cabeças 1, 3 e 4. Seu adversário foi Paolo Lorenzi, que vai fazer 36 em dezembro e vinha da maratona da Copa Davis contra a Argentina. Estão em incrível forma.

Vai entender
Além de fazer um calendário extremamente exigente, mesmo para seus 23 anos, o austriaco Dominic Thiem ainda gosta de complicar as coisas. Acaba de perder na estreia de Sofia, entrou em Roterdã e daí dará um salto para o saibro do Rio, verdadeiro oásis, já que na semana seguinte terá de voltar à quadra dura para Acapulco.

Ou ele se acha bom demais no saibro para disputar um ATP 500 sem qualquer preparação mínima e adequada, ou então virá mesmo só atrás do cachê e da sorte. Não dá para imaginar que ele conseguirá um tênis digno saindo do frio e quadra coberta para o verão carioca.

Alerta
Importante alerta foi dado por Fernando Roese, capitão do time da Fed Cup, que chegou ao cúmulo de disputar neste sábado duelo de rebaixamento do Zonal Americano com a Bolívia. ‘Precisamos formar mais jogadoras’, pede o experiente treinador.

Compromissadas com a carreira individual, Paula Gonçalves e Bia Haddad não foram chamadas. Teliana Pereira tentou, mas perdeu três dos sete jogos que disputou entre simples e duplas. A boa notícia foi a estreia de Luísa Stefani, que entrou em momentos complicados e mostrou competência. Ela está cursando Universidade nos EUA.

Outras
– Juan Martin del Potro esticou ao máximo e retornará ao circuito em Delray Beach, na próxima semana, mesmo torneio aliás em que marcou sua volta no ano passado. Depois, vai a Acapulco e Indian Wells.

– Thomaz Bellucci perdeu pelo terceiro ano seguido para Victor Estrella no saibro alto de Quito. Ele pulou Buenos Aires, onde nunca se deu bem, e preferiu se preparar para Rio e São Paulo. Curiosamente, Thiago Monteiro é quem vai pegar Estrella na Argentina.

– Agora 154º do ranking, enfim Ernests Gulbis está de volta. Tentou o quali de Roterdã e a vaga na chave escapou por muito pouco. O letão não jogava desde Toronto por causa do ombro e não vence um jogo de chave principal desde Roland Garros.

Argentina já pode sonhar com outra final
Por José Nilton Dalcim
16 de setembro de 2016 às 23:34

E Juan Martin del Potro aprontou mais uma. Esta foi das grandes, porque afinal derrotar Andy Murray dentro de Glasgow, com 90% dos 10 mil torcedores a incentivar o escocês e número 2 do mundo, é daquelas vitórias para ficar na história.

Para mim, a surpresa não foi Delpo ter vencido Murray, mas sim tê-lo feito no quinto set. Vamos recordar que o argentino teve dificuldades com partidas longas no Rio e em Nova York, onde claramente lhe faltaram pernas e não categoria. Desta vez, aguentou 5h07 de uma partida intensa e em que perdia por 2 sets a 1.

Delpo aumenta assim seus feitos na temporada de recuperação, tendo vencido quatro dos grandes nomes. E isso ainda sem bater o backhand, exceto para uma passada ou outra, porém longe do golpe pesado que possuía antes das cirurgias. Ou seja, com slice e jogo de rede aprimorados, pode-se esperar um tenista ainda mais perigoso em 2017, qualificado para brigar lá no top 10.

A incrível façanha de Del Potro em Glasgow abriu caminho para a classificação argentina à final da Davis, já que Guido Pella se inspirou e superou o esforçado mas limitado Kyle Edmund. Mesmo com a provável derrota na dupla e da queda de Pella para Murray no domingo, parece impensável que Edmund vença Delpo no quinto jogo. Não me surpreenderia se Daniel Evans entrasse caso o duelo chegue até lá.

A outra semi continua imprevisível depois das vitórias de Richard Gasquet e Marin Cilic. A dupla será vital e há favoritismo natural de Herbert/Mahut. Como Cilic deverá ganhar de Gasquet, é bem grande a chance de também termos um quinto jogo, este decidido por dois nomes da nova geração: Pouille e Borna Coric.

Brasil precisa de uma mágica
Era um duelo em que qualquer coisa poderia acontecer. Para nosso azar, aconteceu a pior delas: derrota previsível de Thiago Monteiro contra David Goffin e virada dolorosa de Thomaz Bellucci frente a Steve Darcis. Não nos encontramos no piso sintético coberto, que nem é o melhor de Goffin.

Claro que seremos favoritos na dupla de sábado e aí teríamos de torcer para Bellucci reencontrar seu jogo diante de Goffin e repetir a vitória do Rio. Claro que para isso teria de sacar muito mais do que fez hoje e não cometer tantas escolhas erradas. Se tudo isso acontecer, ainda veremos Darcis como amplo favorito diante de Monteiro no quinto jogo. O canhoto cearense lutou muito na sua merecida estreia como titular da Davis, mas mostrou evidente desconforto com a quadra um tanto rápida.

Nas outras repescagens, Austrália, Japão, Espanha, Alemanha e Canadá estão a um passo do Grupo Mundial como não poderia deixar de ser. A pequena surpresa veio do time reserva suíço, que foi ao saibro do Uzbequistão e arrancou um empate no primeiro dia. Os jogos de Rússia e Cazaquistão foram adiados por chuva.