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Federer tem jogo decisivo para o nº 1
Por José Nilton Dalcim
12 de agosto de 2017 às 00:36

Ganhar de Robin Haase não vale apenas mais uma importante final nesta incrível temporada para Roger Federer. A vitória às 16 horas deste sábado lhe dará condições matemáticas de depender unicamente de si mesmo para recuperar a liderança do ranking já em Cincinnati, na próxima semana.

O suíço chegará a 7.145 pontos se for à final de Montréal e assim o título e os 1.000 pontos no piso rápido de Cincinnati, um lugar onde já ganhou sete vezes, serão o bastante para superar Rafael Nadal qualquer que seja a campanha do espanhol. Como está com 7.555 pontos e defende 90, o máximo que o espanhol poderá atingir com um vice são 8.065.

Ao mesmo tempo, Federer continua a perseguir os números de Ivan Lendl. A primeira façanha a se comemorar nesta semana é a semifinal de número 189 na carreira, que iguala o tcheco e fica apenas atrás das inacreditáveis 240 de Jimmy Connors. Em caso de título, chegará aos mesmos 94 de Lendl, ainda que distante dos 109 de Connors.

Curioso o fato de que Federer e Haase, já um ‘trintão’, se enfrentaram uma única vez até hoje, cinco anos atrás no playoff da Copa Davis e o suíço atropelou no saibro. Tenista de 1,90m que já foi 33º do ranking, Haase é um adversário respeitável em quadras mais velozes, embora seus dois ATPs tenham vindo no saibro rápido de Kitzbuhel.

Não há muito segredo: saca bem, prefere ficar na base a disparar golpes da base, com pouca variedade. Ainda assim, suas cinco vitórias sobre top 10 são expressivas: Murray, Wawrinka, Tsonga, Berdych e recentemente Thiem.

Enquanto Federer fez um jogo burocrático, mas bem superior ao da véspera, diante de Roberto Bautista, o holandês virou em cima de Diego Schwartzman mesmo perdendo quatro serviços na partida. O suíço adotou a tática de pressionar o espanhol desde o início e começou a obter dividendos quando o saque de Bautista caiu de rendimento. Haase saca melhor, mas não duvido que Federer adote o mesmo modelo tático e use anda mais as bolas baixas.

O sonho continua
Denis Shapovalov está iluminado. Marcou sua terceira virada diante de uma torcida empolgadíssima e a vitória desta noite sobre Adrian Mannarino teve um componente a mais para mostrar o potencial do canhoto canadense: administrou emocionalmente com grande competência a façanha da noite anterior, quando eliminou Rafael Nadal.

Sem deslumbre, sua postura foi digna. Entrou focado, ainda que tenha demorado a pegar o melhor ritmo, correu atrás do prejuízo e achou o caminho tático para driblar um adversário que se postou de forma bem diferente da véspera. Apesar de não ter golpes matadores, o canhoto francês joga muito perto da linha, o que tira os ângulos, e saber mexer a bola para todos os cantos, apostando na regularidade. Shapovalov precisou de maior cautela, mas ainda disparou 34 winners e fez 49 erros, ou seja, tomou a iniciativa o tempo todo. Destaque para uma cinematográfica passada cruzada de backhand.

Mais jovem semifinalista na história dos Masters e já garantido no top 70, Shapovalov faz agora um duelo dos mais interessantes diante de outro prodígio, o alemão Alexander Zverev, que é exatamente dois anos mais velho e já está num estágio de alto nível na carreira e numa temporada magnífica. Ele repetiu nesta noite a vitória sobre Kevin Anderson da final de Washington de cinco dias atrás e será um teste magnífico para Shapovalov, já que tem saque poderoso, grande jogo de base dos dois lados, procura sempre entrar na quadra, pega na subida e faz devolução agressiva.

O sonho também continua para Sloane Stephens. Ela foi muito corajosa, bateu firme para escapar de três match points contra Lucie Safarova num jogo batido o tempo inteiro. A norte-americana faz semifinal contra Carol Wozniacki, que conseguiu reagir duas vezes: de 1/5 para 7/5 no primeiro set e de 2/4 para 6/4 no terceiro diante da número 1 Karolina Pliskova. Por incrível que pareça, Carol, que nunca havia vencido uma líder do ranking, marcou mais aces que a tcheca: 8 a 5.

A segunda semifinal só será conhecida neste sábado, já que o mau tempo interrompeu a vitória parcial de Garbine Muguruza e adiou a partida entre Simona Halep e Carolina Garcia. As vencedoras terão rodada dupla.

Sofrimento de Murray continua
Por José Nilton Dalcim
7 de julho de 2017 às 19:51

Andy Murray levou o primeiro grande susto e quase se enrolou diante de Fabio Fognini, num duelo em que ambos mostraram intensos altos e baixos. Acendeu o sinal de alerta para o escocês, mas está evidente que ele não apenas sofre com a insegurança do quadril como também de seus nervos. Chega às oitavas e, a partir de agora, não há mais margem de segurança: se ele cair e Rafael Nadal vencer, adeus número 1.

Há um ar de sofrimento em Murray. Mesmo se esforçando para fazer a coisa certa, vive momentos de queda absurda de qualidade técnica, como no final do segundo set e num apagão total na metade do quarto. Não fosse Fognini tão destemperado, a partida teria ido longe e ficado bem perigosa. Por sorte, seu adversário agora é Benoit Paire, avoado francês de jogo bonito e forehand frágil. É bem provável que ao menos Andy belisque as quartas.

Para seu desespero, Nadal está voando em Wimbledon. Entrou em quadra decidido a atropelar o pouco experiente Karen Khachanov e foi para o ‘abafa’, winner atrás de winner. O russo se libertou tarde e ainda teve tempo de fazer um terceiro set competitivo, com direito a set-point. Reencontrará agora o também canhoto Gilles Muller, que surgiu para o tênis justamente ao bater Rafa em Wimbledon de 2005. Faz tempo. O luxemburguês, 34 anos e top 30, vive hoje a melhor fase. Boa chance de um jogo bem disputado.

Correndo por fora – e certamente lamentando estar do lado da chave de Rafa e não de Murray -, Marin Cilic levou outra sem perder sets. Encara Roberto Bautista, que tenta enfim passar das oitavas de um Slam pela primeira vez na carreira, depois de ter superado um errático Kei Nishikori. Lá em cima, Kevin Anderson dá outro passo para recuperar ranking e confiança e aguarda Sam Querrey ou Jo-Wilfried Tsonga, que faziam o melhor jogo do dia quando acabou a luz no quinto set.

A chave feminina tem quatro jogos muito interessantes já garantidos nas oitavas: Simona Halep contra Vika Azarenka, Jo Konta diante de Caroline Garcia, Jelena Ostapenko frente Elina Svitolina e Venus Williams encarando Ana Konjuh. A parte boa disso tudo é que são todas tenistas que partem para a bola.

A croata Konjuh jogou seu melhor para tirar Dominika Cibulkova, Svitolina dominou os golpes retos de Witthoeft, Konta jogou tranquila diante de Sakkari e Azarenka virou com garra diante do público e de Watson. Se passar por Halep, Vika vai ficar gigante.

Mais reclamação
Além da excessiva lentidão das quadras, há muito tenista insatisfeito com a condição do piso. O que aliás é visível: imensos trechos sem qualquer sombra de grama em diversas quadras. Lá dentro da ação, no entanto, a coisa parece pior.

Kiki Mladenovic afirmou que quase não existe mais grama na 18, um dos estádios importantes, e Timea Bacsinszky declarou estar decepcionada com as condições. E olha que mal se concluiu a terceira rodada.

O All England Club se defende, dizendo que a preparação do terreno foi idêntica a todos os anos, com a mesma qualidade de grama usada (100% centeio). O que talvez os organizadores não estejam levando em conta é que o tênis está sendo disputado em excesso no fundo de quadra e, com a lentidão das condições, isso se maximizou neste ano.

Em tempo: não há remendo possível na grama no meio do campeonato. O processo de plantio e moldagem dura meses e exige até mesmo luzes artificiais para imitar a radiação solar durante o inverno inglês.

Números
6 – Marca recorde de maior número de ‘trintões’ nas oitavas masculinas de Wimbledon, que aconteceu por três vezes, em 1969, 70 e 75. Está bem perto de cair.
13 – Erros não forçados foram cometidos por Cilic nos 33 games diante de Johnson
37 – Idade da mais velha campeã de Wimbledon até hoje (Charlotte Sterry, em 1908), que é a mesma idade de Venus Williams.
41 – Quantidade de winners que Nadal fez nos três sets diante de Khachanov, sendo 11 de forehand e 4 de backhand da base, 3 de drop-shot e 6 voleios.
84 – São as vitórias de Venus em Wimbledon, apenas duas atrás da irmã Serena, terceira melhor marca da Era Aberta
316 – Número de vitórias de Grand Slam que Federer e Serena têm hoje. Suíço pode quebrar a marca na próxima partida.

Sábado
– Amigos de longa data, Djokovic tem 6-1 sobre Gulbis, a única derrota tendo acontecido em 2009.
– Federer faz terceiro duelo do ano contra Misha Zverev e o quinto da carreira (4-0). Alemão não vencia um jogo no torneio desde 2009.
– Os irmãos Zverev tentam repetir a façanha de Emilio e Javier Sanchez, que foram às oitavas do US Open de 1991.
– Raonic deixará top 10 se cair diante de Ramos. O placar é de 1-1.
– Ofner tenta surpreender Alexander Zverev e se tornar primeiro tenista em 21 anos a atingir as oitavas do torneio logo em sua primeira participação.
– Thiem-Donaldson é o duelo da nova geração. Americano de 20 anos joga primeiro Wimbledon.
– Berdych-Ferrer são os veteranos. Fizeram 15 duelos (8-7 para Ferrer) e nenhum na grama.
– Jogadoras agressivas, Riske e Vandeweghe devem fazer duelo mais equilibrado do sábado: 4-4 nos duelos. Kerber e Muguruza são favoritas, Bacsinszky ganhou os dois jogos que fez contra Radwanska.

Cabeça de Nole passa no teste
Por José Nilton Dalcim
2 de junho de 2017 às 20:30

A terceira rodada de Roland Garros foi um duro teste para Novak Djokovic, não resta dúvida. E nem tanto no aspecto técnico-tático, mas para seus nervos e determinação. Vento, chuva, árbitro e um adversário lutador ao extremo. Fosse um jogo em três sets, Nole estaria eliminado. Mas cinco sets são um universo totalmente à parte, que ressalta ainda mais a experiência e o físico de cada um.

Diego Schwartzman fez um esforço enorme para se manter competitivo e aos poucos a intensidade foi caindo, caindo… Enquanto Nole manteve o padrão e deu a impressão que jogaria mais um set facilmente.

Quebrou raquete, reclamou, esbravejou mas acima de tudo queria ganhar. Terá de ficar preparado para outra batalha de paciência contra o canhoto Albert Ramos, sobre quem ganhou todos os nove sets disputados. O espanhol suou e usou a regularidade para calar a torcida por Lucas Pouille.

Aproxima-se o duelo de Djoko com Dominic Thiem e o austríaco vem embalado, nenhum set perdido e ainda um adversário veterano pela frente, o canhoto Horacio Zeballos, que se favoreceu do infortúnio de David Goffin. O belga se enrolou na lona, torceu o pé e saiu carregado da quadra ainda no décimo game. Outra cena triste para Roland Garros.

Enquanto isso, Rafa Nadal dá exibições. Fez sua mais fácil partida em toda a história do torneio, um único game perdido. Vá lá que Nikoloz Basilashvili não mostrou qualquer arma e ganhou mais pontos em erros do adversário do que por seus próprios méritos.

Rafa pode ter agora dois compatriotas antes da semi. Roberto Bautista é o próximo, um tenista regular e brigador, mas sem os grandes golpes necessários para superar a ‘parede’. Pablo Carreño viria em seguida. Ele anulou Grigor Dimitrov e tem chances diante de Milos Raonic, que mal jogou diante de Garcia-López. Para ser sincero, o saque do canadense me parece ser o único com capacidade de dar algum trabalho a Nadal neste momento de notável inspiração.

Na chave feminina, as únicas surpresas foram as dificuldades com que Sveta Kuznetsova e Kiki Mladenovic tiveram em suas partidas. A francesa ficou bem perto da derrota para Shelby Rogers. Drama atrás de drama.

Continuo achando que Kuznetsova é a maior candidata à vaga na final nesse lado da chave, apesar da presença de Garbine Muguruza e da deliciosa forma com que Venus Williams se diverte em quadra. Mantém o estilo superagressivo, faça chuva, faça sol, sob os olhares da irmã Serena.

Ranking alert
– A partir de agora, qualquer rodada a mais que Nadal alcance sobre Djokovic significa para o sérvio a perda do número 2. Wawrinka só entra na briga se chegar na semi.
– Apesar da decepcionante derrota, Zverev tem tudo para se manter no top 10. Risco apenas se Monfils for à final ou um campeão muito inesperado, como Carreño ou Bautista.
– Bellucci pode sair como 56º; Rogerinho, de 71º; e Monteiro, 94º.
– Mais uma vitória e Rogerinho será top 100 também de duplas, feito inédito para ele.
– Apenas dois dos top 12 de duplas estão de pé: Bruno e Jamie.
– Bia por enquanto avança para 96º, seu recorde pessoal.

Oitavas a concluir
– Murray ganhou 6 de 9 duelos contra Delpo, mas perdeu 2 dos últimos 3. A tradição mostra jogos duros. Dúvida devido a estiramento, Delpo tenta voltar às oitavas de Paris após 5 anos.
– Wawrinka tem 5-1 nos confrontos contra Fognini e 4-1 no saibro. Paris sempre foi o melhor Slam do italiano, que fez quartas em 2011.
– As únicas duas vitórias de López sobre Cilic vieram exatamente no saibro. Croata busca 100º triunfo no piso e repetir melhor campanha em Paris. Canhoto de 35 anos, espanhol só fez oitavas no torneio de 2004, quando perdeu para Guga Kuerten.
– Diferença de Nishikori no duelo asiático contra Chung é de 65-4 em vitórias de Slam e 323-35 em nível ATP. Mas japonês está com problema nas costas e preocupa.
– Monfils e Gasquet prometem equilíbrio total. Em 14 duelos, 7-6 para Gael. Só se cruzaram uma vez no saibro, em Barcelona de 2011. Imprevisível. Quem vencer, será última esperança francesa na chave.
– Duelo de geração entre Isner (32 anos) e Khachanov (21). O russo ganhou mais jogos este ano no saibro (9 a 7) e Isner no geral (14 a 12). Khachanov tem recorde negativo em tiebreaks em 2017 (6 de 20).
– Verdasco venceu Cuevas em Roland Garros de 2014 em jogo intenso e virada de 2 a 0. Último uruguaio nas oitavas foi Filippini, em 1999. Espanhol já chegou na quarta rodada cinco vezes.
– Fato curioso, tanto Edmund como Anderson nasceram em Johanesburgo. Britânico não perdeu sets ainda. Ex-top 10, sul-africano já passou por duas cirurgias, no ombro e tornozelo.
– Apenas dois dos oito duelos femininos envolvem confronto direto entre cabeças de chave: Halep x Kasatkina, possivelmente o melhor jogo do dia, e Vesnina x Suárez, em que a espanhola ganhou todos os três anteriores.
– Favoritismo para Pliskova e Svitolina. E atenção nas francesas: Cornet desafia Radwanska, contra quem tem terríveis 1 a 7 nos duelos, e Garcia pega Hsieh.