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Dimitrov dá aula de aplicação tática
Por José Nilton Dalcim
20 de agosto de 2017 às 21:02

Se fosse possível resumir uma partida de tênis a um único lance, nada mais límpido que a passada paralela de Grigor Dimitrov no game final do duelo contra Nick Kyrgios para explicar o que se viu na decisão de Cincinnati deste domingo. O búlgaro atlético, preciso, empenhado diante de um adversário que ficou perdido na armadilha muito bem preparada por Dimitrov e seguida à risca do começo ao fim.

Muitas vezes acusado de se perder nos planos de jogos, Dimitrov desta vez foi impecável. Mesclou velocidades no backhand de Kyrgios, capitalizando seguidas vezes com o slice curto, e se mostrou focado e confiante, com um saque eficiente. Nas poucas oportunidades que o australiano teve nos dois sets, Dimitrov sempre achou a resposta mais correta.

É bem verdade que me pareceu ter faltado atitude ofensiva a Kyrgios. Ficou passivo demais, como se achasse que em algum momento o búlgaro iria começar a entregar pontos, e quando foi para cima geralmente escolheu o caminho errado. Isso surpreende ainda mais quando se soube que os dois andaram treinando juntos nos últimos dias.

De qualquer forma, o título ficou em ótimas mãos. Em pisos mais velozes, sabe-se que Dimitrov está mais à vontade, como já vimos em Wimbledon e na recente semifinal do Australian Open. Se for verdade que o US Open irá também optar por uma bola mais veloz, Dimitrov só precisará mesmo de um bom sorteio para ter chances de ir longe. O mesmo se pode dizer de Kyrgios, que apesar de alguma choradeira com o árbitro mostrou de novo comportamento que se espera de um profissional top 20.

Na chave feminina, outro show de Garbiñe Muguruza. Deu pena de Simona Halep, que sofreu para ganhar pontos até a metade do segundo set. A diferença de força entre as duas é muito grande e a espanhola parece totalmente à vontade no seu estilo agressivo. Mesmo quando está trocando bolas na base, seus golpes estão profundos e pesados, empurrando a adversária para trás. Arrisco a dizer que é a grande favorita para o US Open.

Halep pela quarta vez viu desmoronar o sonho de atingir a liderança do ranking, mas terá outra oportunidade em Nova York. O problema é que agora Muguruza entrou no páreo e tem muito menos pontos a defender. A rigor, precisa marcar 160 pontos a mais que Halep e pode perder pelo menos uma rodada antes de Pliskova. Ou seja, virou séria e merecida candidata a assumir o posto.

Domingo especial
Por José Nilton Dalcim
20 de agosto de 2017 às 01:03

É bem verdade que Cincinnati esteve muito esvaziado, com apenas um dos Big 4 – e justamente aquele que menos se destaca em pisos mais velozes -, porém ainda assim é delicioso ver dois tenistas que tantas esperanças já depositamos atingir sua primeira grande final e ficar em condições de levantar um Masters 1000.

Nick Kyrgios e Grigor Dimitrov têm muitos méritos. O australiano pegou uma sequência difícil, cheia de jogadores experientes. O mais animador foi ver como ele dominou a impetuosidade. Mesmo em situação apertadas, como a dura vitória sobre o hiper-sacador Ivo Karlovic; o final de jogo quente em que praticamente todo o estádio estava com Rafael Nadal; e os dois sets exigentes diante de um renovado David Ferrer, o australiano manteve a cabeça firme, atitude positiva.

Mais. Não se perdeu em reclamações inúteis com o árbitro, elogiou toda jogada mais bem feita pelo adversário, cumprimentou todo mundo junto à rede e até voltou a ir até o meio da quadra agradecer o público, algo que vinha evitando fazer. Não dá para dizer ainda que seja um novo Kyrgios, à base de seus dois psicólogos, porém é um caminho bem mais saudável.

Dimitrov também fez uma grande semana, com vitórias sobre Feli López, Juan Martin del Potro e um grande teste mental diante de John Isner. Ganhar dois tiebreaks do gigante, dentro da casa dele, não é para qualquer um. Melhor ainda, o búlgaro soltou golpes precisos em momento de grande pressão, algo que um ano atrás certamente sairia por meio metro. Talvez até mais do que Kyrgios, dado seus três anos de desvantagem, Dimi necessite bem mais do troféu em Cincinnati.

O búlgaro já será 9º do mundo nesta segunda-feira e se aproximará muito de Dominic Thiem se for campeão. Kyrgios volta ao 18º posto – e se garante entre os 16 cabeças do US Open, algo bem valioso – e chegará ao inédito 12º se levantar a taça.  Será o terceiro Masters 1000 consecutivo sem título para o Big 4, algo que jamais aconteceu.

E o fim de semana especial em Cincinnati pode se completar com a ascensão de uma nova número 1 no circuito feminino. Simona Halep atropelou Sloane Stephens no seu melhor estilo e está novamente a uma vitória de atingir a tão sonhada meta. O problema é que a barreira final será a atual campeã de Wimbledon Garbiñe Muguruza, que também sobrou diante da atual campeã Karolina Pliskova.

Halep terá sua quarta chance de atingir a ponta e se transformar em mais uma tenista a virar líder sem jamais ter vencido um Grand Slam. Ela perdeu a oportunidade na final de Roland Garros, nas quartas de Eastbourne e depois nas quartas de Wimbledon. Curiosamente, ela só tem um título na temporada, no Premier de Madri.

Como bem destacado por Mário Sérgio Cruz em TenisBrasil, a segunda-feira já tem novo número 1 em simples masculino (Rafael Nadal), nas duplas masculinas (Henri Kontinen) e nas duplas femininas (Lucie Safarova). Incrível.

Muller vence com 50% de winners
Por José Nilton Dalcim
10 de julho de 2017 às 20:34

O épico e histórico triunfo de Gilles Muller nesta segunda-feira no duelo de canhotos diante de Rafael Nadal, tira teima em Wimbledon que viu cada partida ser disputada a cada seis anos, tem números superlativos.

Foram quase 400 pontos disputados, que obrigaram cada tenista a correr por cerca de quatro quilômetros. Muller saiu de quadra com 95 winners de seus 191 pontos, uma estatística absolutamente incrível. Foi à rede 83 vezes, com 71% de sucesso, e precisou dar 212 primeiros saques e 79 de segundos. Tremendo esforço para seus 34 anos e um estilo que não tem muito de físico, dependendo muito mais da coragem e da boa mão.

Muller sabia o que fazer e seguiu a estratégia nos dois primeiros sets. Sacou muito, subiu sempre, deu mínimo ritmo ao espanhol. Rafa demorou para achar seu melhor tênis. Quando obteve enfim a primeira quebra do terceiro set, se soltou. Passou a sacar cada vez melhor, bateu seu recorde pessoal com 23 aces, acertou bolas incríveis da base. Lutou e vibrou.

Parecia impossível que Muller aguentasse a sufocante reação de Nadal no quinto set, público claramente ao lado do bicampeão. No entanto, foi Gilles quem esteve quase o tempo todo mais perto da vitória, mostrando notável tranquilidade e determinação tática. Não fosse a coragem de Nadal para sair do buraco – foram quatro match-points, cinco 0-15, outro 0-30 e um 15-30 – e o jogo teria acabado muito antes.

Curioso notar que Muller despontou para o circuito quase uma década atrás, quando atingiu as quartas do US Open de 2008 vindo do quali. Mas não embalou. Sofreu séria contusão no cotovelo em 2013 e hoje conta que aproveitou a longa parada para treinar a parte física. E, garante, isso teria feito a grande diferença. Sentindo-se mais preparado, iniciou a escalada. Entrou enfim para o top 50 em 2015, fez duas finais de ATP no ano passado e encontrou seu melhor tênis nesta temporada, com títulos em Sydney e Hertogenbosch e lugar no top 30.

Pai de dois filhos, ele agora enfrenta Marin Cilic, para quem perdeu dias atrás na semi de Queen’s em jogo duro. O croata está embalado, atropelou Roberto Bautista, segue sem perder sets e sonha com a primeira presença nas semis de Wimbledon.

Murray e Federer confirmam
Enquanto isso, lá na Central, Andy Murray e Roger Federer cumpriram a obrigação. Ambos perderam serviço e tiveram alguns altos e baixos, porém a diferença de consistência sobre Benoit Paire e Grigor Dimitrov é enorme.

Respirando ao ver Nadal cair mas ainda sob risco de perder o número 1 caso Novak Djokovic seja campeão, o escocês encara um sempre perigoso Sam Querrey, que venceu cinco duros sets sobre Kevin Anderson, enquanto Federer reencontra Milos Raonic, o homem que o tirou na semi do ano passado. Murray tem 7 a 1 sobre Querrey, o que garante certo conforto, e Federer lidera 9 a 3 sobre Raonic, tendo perdido as duas últimas.

Djokovic foi prejudicado pela demora da rodada e terá de jogar contra Adrian Mannarino na terça. Se cumprir o esperado e liquidar sem sustos, o adiamento não fará muita diferença, já que Tomas Berdych se esforçou por cinco sets diante de Dominic Thiem e é um dos maiores ‘fregueses’ de Nole, com 25 derrotas em 27 jogos.

Cai a número 1
Garbine Muguruza tirou Angelique Kerber da liderança do ranking. E que belíssimo jogo. A espanhola buscou a rede o tempo todo, a alemã fez verdadeiras mágicas. Muguruza encara nesta terça-feira Sveta Kuznetsova, outra que se defende muito bem.

Agora, Simona Halep só precisa derrotar Jo Konta para assumir a ponta. Bem, ‘só’ é força de expressão. A britânica se supera a cada rodada, apoiada no público. É mais um desafio para a romena, que só dominou Vika Azarenka depois de estar 2/4 atrás no primeiro set.

Outro duelo gigante envolverá Venus Williams e a estrela ascendente Jelena Ostapenko. Pancadaria à vista. Quem passar de Muguruza e Kuznetsova, faz semifinal diante das surpresas: Magdalena Rybarikova ou CoCo Vandeweghe. Não pensem que será tarefa fácil.