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Patinho feio
Por José Nilton Dalcim
8 de junho de 2017 às 20:15

Dominic Thiem é o ‘patinho feio’ das semifinais de Roland Garros. Único que não está na faixa dos 30 anos, que não figura no top 5, que jamais ganhou um título de Grand Slam, que nunca fez uma final em Roland Garros.

Vejamos os pontos mais importantes sobre as duas semifinais.

Andy Murray x Stan Wawrinka
Repetem a semifinal do ano passado, vencida já com alguma surpresa pelo britânico em quatro sets. Murray tem 10 a 7 nos duelos (3 a 2 em Slam), mas suíço lidera por 3 a 1 no saibro.

Ambos têm três troféus de Slam na carreira. Murray vem de vitórias sobre Nishikori e Del Potro, Stan passou por Fognini, Monfils e Cilic.

– Caso vença, Murray será apenas o sétimo jogador da Era Profissional a ter pelo menos duas finais em cada um dos Slam. Faria nobre companhia assim a Agassi, Djokovic, Federer, Lendl, Nadal e Rosewall.
– Aos 32 anos e 75 dias, Wawrinka pode se tornar o mais velho finalista em Paris desde Niki Pilic, que tinha 33 anos e 280 dias em 1973.
– Murray tenta 12ª final de Slam e assim poderá ficar à frente de Edberg, McEnroe e Wilander, que somam 11.
– Em 18 duelos contra top 5 no saibro, Murray só ganhou 5.
– Todas as vezes que Wawrinka derrotou um número 1 do ranking foram em finais de Slam: Nadal (Austrália-2104) e Djokovic (Paris-2015 e US Open-2016).

Rafael Nadal x Dominic Thiem
Irão se reencontrar pela quarta vez no saibro europeu nesta temporada, com vitórias de Rafa nas finais de Barcelona e Madri e de Thiem nas quartas de Roma.

Os dois somam exatamente 22 vitórias na terra em 2017. Nenhum deles perdeu set no torneio até agora. Placar geral é de 4 a 2 para Nadal, com todos os jogos no saibro.

– Nadal tenta se tornar o terceiro tenista em todos os tempos a disputar 10 finais num mesmo Slam e assim repetir Federer (Wimbledon) e Tilden (US Open).
– Aos 23 anos e 281 dias, Thiem pode ser o mais jovem finalista de Roland Garros desde o próprio Nadal, em 2008, quando tinha 22 anos e 5 dias.
– Nadal disputa sua 80ª partida em Roland Garros, com 77 vitórias. Nunca perdeu uma semifinal em Paris.
– Thiem pode se tornar apenas o terceiro homem a ganhar de Nadal no saibro por três vezes, repetindo Djokovic (7) e Gaudio (3).
– Espanhol pode se isolar no segundo lugar de finais de Slam na Era Aberta, com 22, atrás somente de Federer (28).
– Único austríaco a chegar numa final de Slam foi Muster (campeão em Paris-1995).

Feminino: expectativa
A chegada da experiente Simona Halep e da debutante Jelena Ostapenko à final de Roland Garros deixa muita expectativa para a partida de 10 horas de sábado. São duas tenistas que gostam de bater na bola e procuram sempre comandar o ponto, o que deve garantir um belo duelo. A menos que os nervos atrapalhem, como aconteceu nas semifinais.

Ostapenko certamente tem um jogo mais vistoso do que o da suíça Timea Bacsinszky, mas não soube traduzir isso na maior parte do tempo da semifinal. A tensão foi muito grande, 16 quebras, poucos serviços mantidos sem esforço e intensos altos e baixos. Conservadora, a suíça perdeu com apenas 16 erros, quase três vezes menos do que a letã.

Já Halep e Pliskova arriscaram mais, mas perderam apenas cinco serviços. Lutadora, a romena terminou com 14 winners frente a 45, porém 14 falhas frente 55. Dá facilmente para perceber o quanto Pliskova forçou o jogo, que é sua característica, e como Halep se defendeu.

Ostapenko tenta um feito: se tornar a tenista de mais baixo ranking e a única não cabeça a ganhar Roland Garros, aos 20 anos e sem nenhum outro troféu de primeira linha no currículo. Exatamente como Guga fez a 8 de junho em 1997, data em que a letã nasceu. Já Halep sonha com seu primeiro troféu de Slam e o número 1 do ranking. Não poderia ter maior chance.

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Justiça
Por José Nilton Dalcim
7 de junho de 2017 às 10:05

Atualizado às 15h28

Os dois melhores jogadores na temporada de saibro teriam mesmo de lutar entre si na semifinal de Roland Garros, já que o sorteio os colocou pesarosamente no mesmo lado da chave. Rafael Nadal e Dominic Thiem estiveram vários passos à frente de seus concorrentes nas últimas semanas e será plenamente justo que um deles fique também com o título em Paris.

Claro que o placar de Thiem em cima de Novak Djokovic foi uma tremenda surpresa. Basta ver que, nos dois jogos sobre o saibro até então realizados, o austríaco havia ganhado oito games, incluindo uma surra recente em Roma. O primeiro set, fica agora evidente, decidiu tudo no aspecto mental e quem sabe até físico.

Que intensidade os dois trocaram bolas ao longo de 13 duríssimos games. Thiem quebrou para 2/1, Djoko virou para 4/2, austríaco reagiu e veio o tiebreak, tudo isso recheado de lances espetaculares e enorme energia gasta. Juro que acreditei que Thiem seria o primeiro a perder intensidade, mas o que vimos foi Nole desabar após um tiebreak tenso em que nove dos 12 pontos foram de quebra.

A confiança de Thiem cresceu a cada game e há de se louvar o ataque nas paralelas e as curtas desconcertantes que encontrou, ainda que não tenha sacado como de hábito. Para Djokovic, já se torna clássica a dificuldade em dias de vento, o que me lembra do mesmo pavor que Martina Navratilova tinha disso, mesmo no seu auge absoluto.

Nadal economizou energia e viu um adversário muito fragilizado no saque, tendo perdido todos os games de serviço. Mais tarde, vimos que o problema era o abdômen, sem o qual é impossível mesmo sacar bem. Curiosamente, os únicos games de Pablo Carreño foram também em quebras. O fato é que o jogo era sofrível até a desistência de Carreño, mas faz jus à imensa superioridade técnica e física do eneacampeão.

Murray ou Wawrinka?
As outras duas quartas de final tiveram o resultado que eu esperava, até mesmo em sets. Mas foram dois jogos bem distintos. Enquanto o suíço desceu o braço e mostrou um tênis exuberante em boa parte do tempo em que enfrentou Marin Cilic, o número 1 do ranking sofreu seus tradicionais altos e baixos, contando com boa dose de colaboração de Kei Nishikori para alcançar sua quinta semifinal em Roland Garros, um resultado aliás nada desprezível.

Um número deixa bem claro como Stan está afiado: mesmo com seu estilo de risco, cometeu apenas 17 erros na partida. Aliás, o game com que fechou o primeiro set foi um primor. Winner atrás de winner, de tudo que foi jeito. Ao fechar a partida, mesmo com 6/0, vibrou muito. Parece que está animado. Nunca temos certeza qual Wawrinka entrará em quadra na próxima rodada. Porém, se mantiver essa qualidade e foco, será difícil Murray impedir a segunda final do suíço em Paris.

Da mesma forma, o britânico já deve estar aliviado. Fez até aqui uma campanha decente e muito acima do que qualquer um esperava, tendo passado por bons adversários e evoluído ao longo do torneio. Mesmo que caia, já terá recuperado boa parte da confiança necessária para encarar a grama e os 2.500 pontos que tem a defender por lá.

Briga pelo número 1
O ingrediente que faltava para a chave feminina em Roland Garros veio com as vitórias de Simona Halep e Karolina Pliskova. Agora, além de fazer duelo direto pela final e possível primeiro troféu de Grand Slam, ainda colocarão em jogo suas chances de enfim atingir a liderança do ranking. A tcheca já será a número 1 se vencer a semi, mas a romena precisa do título.

A reação de Halep nesta quarta-feira foi histórica. Deve-se é claro debitar muito na conta da Elina Svitolina, porém a romena joga com coragem o tempo inteiro. Arrancou bolas incríveis a partir do 1/5 e o match-point que salvou merece uma nota 10: paralela funda de backhand, bola na linha de forehand. Gosto muito da romena por isso.

Pliskova também gosta de bater na bola e usa muito ben o saque para atacar logo e evitar que a adversária a balance para os lados. Achei que Caroline Garcia falhou justamente nesse aspecto, jogando por vezes um pouco afoita. Num placar tão apertado de 7/6 e 6/4, é um tanto absurdo dar 31 pontos à adversária, que teoricamente é quem deveria arriscar mais.

Legal observar que as semifinalistas têm 28 anos (Timea Bacsinszky), 25 (Halep e Pliskova) e 20 anos (Jelena Ostapenko), já considerando que Timea e Jelena aniversariam amanhã. Muito bom para o tênis feminino.

Correndo por fora
Por José Nilton Dalcim
5 de junho de 2017 às 17:44

Andy Murray e Stan Wawrinka têm sido coadjuvantes de Roland Garros até agora. Apesar da experiência, ranking e gabarito, chegaram a Paris com campanhas apagadas no saibro. Agora, se aproximam de um duelo direto na semifinal de sexta-feira com considerável favoritismo sobre seus próximos adversários. É difícil, mas por que não sonhar com o título?

O escocês esteve até agora num plano totalmente secundário, ainda mais por ter começado de forma irregular o torneio. Mas jogou muito bem contra Juan Martin del Potro e hoje contra Karen Khachanov deu mais um salto de qualidade. Entrou ligado na partida, usou muito bem o saque, variou ataques e defesas. E antes que alguém fale do pequeno currículo do russo, frise-se que ele se mostrou um tenista de grande potencial.

Embora tenha 8 a 2 de vantagem, o histórico recente mostra partidas muito duras e equilibradas frente a Kei Nishikori. O número 1 no entanto chegará na quarta-feira muito mais descansado e confiante. O japonês, que tem se queixado do quadril, ganhou aos trancos e barrancos e levou ‘pneu’ tanto de Hyeong Chung como de Fernando Verdasco.

Nishikori teve uma bela reação contra o canhoto espanhol nesta segunda-feira, mas ficou evidente o desgaste que isso lhe causou. Perdeu quatro dos cinco primeiros games de serviço e não sei se sairia vitorioso caso tivesse perdido o saque no fundamental longo sexto game do segundo set. Verdasco exigiu bastante, mas sua intensidade foi caindo a ponto de ganhar apenas um dos últimos 10 games.

Wawrinka foi à quadra provavelmente à espera de um Gael Monfils defensivo, mas acabou encontrando um adversário decidido. Foi um belo jogo por dois sets, com chances divididas, ótimos lances e incansáveis trocas de bola. O pecado do francês foi não ter segurado o 4/2 do primeiro set, nem a quebra precoce que teve no game inicial do segundo. O serviço o deixou na mão nas horas mais impróprias.

A maior preocupação ficou por conta de um atendimento para a lombar que Stan pediu no segundo set. Felizmente, não limitou seu saque, nem Monfils usou bolas baixas que poderiam ser um martírio. Teremos de esperar para ver se isso compromete para quarta-feira quando reencontrará um compenetrado Marin Cilic.

O croata atingiu as únicas quartas de Slam que ainda não tinha no currículo quase sem esforço com o abandono por contusão de Kevin Anderson. Ele tem feito o seu melhor: saque afiado com segunda bola mortal, que lhe deram incríveis 95% de pontos vencidos na segunda rodada, e um índice baixo de erros não forçados diante de seu estilo (seu pior foram 25 falhas num partida e a média, perto de 20). Ele no entanto perdeu 11 dos 13 jogos contra Stan, com última vitória sete anos atrás.

Sinal dos tempos, se der a lógica e os quatro primeiros cabeças vencerem, este Roland Garros será o primeiro Grand Slam da Era Aberta a ter todos os semifinalistas com mais de 30 anos.

Fora do normal
A rodada feminina começou com um inesperado massacre de Simona Halep em cima de Carla Suárez, a quem nunca havia derrotado no saibro em quatro tentativas, e um sofrimento terrível de Elina Svitolina para se livrar de uma derrota que parecia iminente para Petra Martic. A croata jogou muito bem até fazer 5/2 no terceiro set e daí em diante ganhou meros seis pontos.

Karolina Pliskova também sofreu demais contra uma determinada Veronica Cepede. A valente paraguaia perdeu dois break-points fundamentais no sexto game do terceiro set, que lhe daria 4/2, e outro no oitavo, para 5/3, e isso custou caro. A tcheca ficou longe de jogar bem e terá de achar um jeito de segurar Carolina Garcia e a torcida. Aos 23 anos, 1,78m e jogo versátil, é outra que vive um sonho em Paris.

Por fim, registre-se a dolorosa derrota de Bruno Soares e Jamie Murray, que estiveram a um ponto da semifinal. Incrível. Dominavam amplamente a partida até o match-point e daí em diante a coisa foi ficando equilibrada até terminar num tenso tiebreak de terceiro set, também decidido numa única e rara falha do escocês junto à rede. Nesta terça-feira, Rogerinho Silva tenta compensar, mas vai ser duro ele e Paolo Lorenzi passarem por Verdasco e Nenad Zimonjic.

A terça-feira
– Nadal tenta mais dois feitos históricos: tornar-se o primeiro com 10 semifinais em Roland Garros (e o terceiro em Slam) e atingir a 100ª vitória no saibro em jogos de 5 sets. Seu recorde contra espanhóis é 13-0 em Paris e 20-3 em Slam.

– Único quadrifinalista que não figura no top 10, Carreño também é o menos experiente. O 21º do ranking chega agora a sua primeira participação nas quartas de um Slam. Perdeu os três jogos com Nadal, sendo dois no Rio, e ganhou um set em Doha.

– Djokovic tenta a 234ª vitória em Slam e sua 32ª semi geral, o que desempataria com Connors e ficaria atrás somente das 41 de Federer. Também será a sexta semi seguida em Paris, novo recorde.

– Mais jovem dos oito remanescentes, aos 23 anos, Thiem disputa a 250ª partida da carreira e busca segunda semi seguida em Paris. Em 2016, perdeu justamente para Djokovic. Até hoje, só ganhou um set nos cinco duelos disputados e apenas oito games em dois jogos no saibro.

– Kiki Mladenovic tenta manter sonho francês de título, depois de 17 anos, e quem sabe até de uma final toda francesa (a última foi em 1944). Melhor Slam veio no US Open de 2015, com quartas, mas é atual campeã de duplas do torneio junto a Garcia.

– Bacsinszky ganhou de Mladenovic este ano na Fed Cup, mas perdeu na grama no ano passado. Ex-top 10, completa 28 anos em três dias. Fez semi em 2015 e quartas no ano passado em Paris.

– Mais experiente, com duas finais de US Open, Wozniacki perdeu os três jogos que fez contra Ostapenko, dois deles no saibro semanas atrás. Tenta primeira semi em Roland Garros. Não jogou no ano passado por contusão.

– Outra que aniversaria dia 8 (fará 20 anos), Ostapenko é 47ª do ranking. No ano passado, não havia vencido um único jogo de Slam. Foi a parceria de Soares nas mistas, mas caíram na estreia.